Lula chama Marco Rubio de 'bolsonarista' e diz que secretário 'odeia o Brasil'

Presidente afirmou que secretário de Estado dos EUA interfere na relação com Washington e disse que o comércio entre os dois países perdeu peso para o Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e afirmou que o integrante do governo Donald Trump "não gosta do Brasil" e atua de forma diferente do que é discutido entre os dois presidentes. A declaração foi feita durante visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais nesta sexta-feira (7).

"Tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o homem secretário de Estado, que é o Marco Rubio. Ele não gosta. Eu disse para o Trump: 'esse moço não gosta do Brasil. Não gosta'", declarou Lula.

Críticas a Rubio e ao tarifaço

O presidente afirmou que Rubio "faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com o Trump" e disse que tomou conhecimento pela imprensa de uma nova elevação das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

"Não teve telefonema. Mas veio pela imprensa, como sempre. Um tarifaço. Aumentou mais 12,5% a tarifa contra nós", pontou. 

Em seguida, Lula também minimizou o peso do comércio com os Estados Unidos para a economia brasileira. "O montante até que não é tanto, porque a relação econômica do Brasil com os Estados Unidos no comércio não é tão grande. Ou seja, já foi 22%, hoje é só 9,4%."

Segundo o presidente, o Brasil pretende buscar outros destinos para os produtos que deixarem de ser comprados pelos Estados Unidos.

Lula relatou ter dito a Trump: "a gente não tem preferência para vender para ninguém. A gente só quer vender para quem quiser comprar. E cada coisa que você deixar de comprar de mim, eu vou vender para outro. Eu não vou ficar chorando".

O mandatário brasileiro também contestou os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar a nova tarifa, entre eles o desmatamento no Brasil e a compra de produtos fabricados com trabalho forçado em outros países.

"É um absurdo. (...) Eu não tenho capacidade de interferência em outro país. Eu não sou ministro do Trabalho de outro país. Eu não sou delegado de polícia de outro país. Eu não sou fiscal de trabalho". 

Maturidade

Ao abordar sua relação com Donald Trump, Lula afirmou que os dois já participaram de reuniões e mantiveram tratamento de respeito. 

O presidente relatou uma conversa com Trump na Malásia em que mencionou a idade dos dois e defendeu uma relação baseada no diálogo.

"Eu disse ao Trump: 'Olha, Trump, nós somos dois homens de 80 anos. Eu já fiz 80 anos — e ele fez agora, dia 14 de julho — então, eu sou um pouco mais velho que você. E a gente tem que passar para o mundo a responsabilidade das duas maiores democracias do mundo, que têm uma relação diplomática há 201 anos, e que a gente tem que passar para o mundo uma certa harmonia", contou. 

O chefe de Estado disse ainda que propôs um prazo para que representantes dos dois governos buscassem uma solução para as divergências comerciais. "Se, ao terminar essa reunião, você estiver certo, eu mudo de posição. Se você estiver errado, você muda de posição. Porque não é possível trabalhar com base em desinformações".