
Ministros israelenses pressionam Netanyahu a retomar ataques em Gaza

O chefe do Shin Bet, David Zini, afirmou durante uma reunião do gabinete de segurança de Israel que a adesão do Hamas ao documento de 15 pontos faz parte de um "processo de engano estratégico" para ganhar tempo e impedir a retomada das operações em Gaza até as eleições. Ministros pressionaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a barrar o avanço do processo, informou o Israel Hayom em publicação nesta sexta-feira (7).
Dois temas estavam no centro da reunião: a atuação de uma força multinacional em Gaza e o roteiro que vai do desarmamento até a criação de um Estado palestino.
Zini afirmou que o Hamas considera o roteiro uma vitória política sobre Israel. "Há aqui uma emboscada estratégica do Hamas. Há aqui um engano", disse.
Avaliação de segurança

O chefe da divisão de pesquisa da inteligência militar, brigadeiro-general Ofir Mizrahi-Rosen, disse que o Hamas aceitou os 15 pontos, mas não abandonou seu objetivo de destruir Israel. Segundo ele, o grupo tenta transferir para Israel a responsabilidade pelo próximo passo.
Mizrahi-Rosen também alertou para a presença de forças estrangeiras perto de localidades israelenses e para uma eventual participação de Catar e Turquia no mecanismo da força multinacional.
O chefe do órgão de segurança nacional, Shmuel Ben Ezra, afirmou que Israel apresentou correções aos documentos aos Estados Unidos. Netanyahu disse que o roteiro contradiz entendimentos alcançados com Washington em novembro de 2025 e confirmou o envio de alterações.
O parlamentar Ze’ev Elkin defendeu uma manifestação formal contra o documento. "Se Israel não realizar atividade ofensiva durante duas semanas, isso significa que aceitamos e entramos no processo. Por isso, é preciso anunciar que não estamos assinando esses 15 pontos", afirmou. Os ministros Orit Strock, Bezalel Smotrich e Avi Dichter apoiaram a cobrança.
Pressão por operações
Segundo Ben Ezra, há forte pressão para que Israel entre em um período de 14 dias, retorne à chamada "linha amarela" e evite operações de eliminação de alvos, apesar das correções apresentadas ao documento.
Dichter afirmou que Israel não pode abandonar o objetivo de destruir o Hamas. Smotrich também defendeu a eliminação do grupo, enquanto o ministro da Defesa, Itamar Ben-Gvir, disse que não deveria passar um dia sem operações desse tipo em Gaza e discutiu o tema com Netanyahu.

