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Irã adota confronto limitado para elevar custo aos EUA, afirma analista

Segundo Hadi Kahalzadeh, ataques buscam elevar os custos militares e políticos de Washington sem desencadear uma guerra em larga escala.
Irã adota confronto limitado para elevar custo aos EUA, afirma analistaAP / Vahid Salemi

Os recentes ataques iranianos contra instalações militares dos Estados Unidos na Jordânia indicam que Teerã se prepara para um conflito prolongado. É o que avalia Hadi Kahalzadeh, especialista em geopolítica, em artigo publicado pela Responsible Statecraft nesta quinta-feira (6).

O analista afirma que o Irã adotou uma estratégia de "confrontação manejada", baseada em ataques limitados para aumentar o custo do conflito sem provocar uma guerra em larga escala.

Segundo Kahalzadeh, essas ações podem dispersar forças americanas, ativar sistemas defensivos, elevar despesas operacionais e ampliar a pressão política sobre o governo dos Estados Unidos.

"Do ponto de vista de Teerã, um acordo abrangente com o governo Trump é praticamente inalcançável", afirmou. Na avaliação do analista, autoridades iranianas veem sanções, negociações, cessar-fogo e ataques militares como instrumentos de uma mesma tentativa de mudança de regime.

Nova estratégia

O artigo sustenta que cessar-fogos temporários favorecem Estados Unidos e Israel ao permitir que Washington controle o ritmo das hostilidades, com capacidade para decidir quando o conflito começa, é interrompido ou retomado.

Kahalzadeh relaciona a mudança de estratégia ao suposto descumprimento de um memorando firmado em junho. Segundo ele, US$ 12 bilhões em ativos iranianos não foram desbloqueados.

O analista também atribui peso à influência de Israel sobre o governo americano. Segundo ele, a sobrevivência do Estado iraniano após 23 mil ataques contra sua infraestrutura aumentou a confiança da liderança em sustentar uma disputa de longo prazo.

"É pouco provável que mais pressão ponha fim à resistência do Irã; ao contrário, poderia reforçar a lição que Teerã menos quer ouvir: que a resistência continua sendo a única opção que dá resultados", concluiu Kahalzadeh.