Ucrânia usa a África como base para recrutar mercenários, denuncia especialista líbio

Omar Bu Saeeda afirmou à RT que, em vez de cooperar no combate ao terrorismo, Kiev apoia grupos armados e "lhes fornece armamento estratégico de alta qualidade, que representa uma séria ameaça aos exércitos regulares e aos Estados estáveis".

A presença do regime de Kiev em países africanos afetados por conflitos fortalece grupos extremistas, representando uma grave ameaça à estabilidade e à segurança tanto do continente quanto em escala global. A afirmação é de Omar Bu Saeeda, analista político e pesquisador líbio.

"A Ucrânia se tornou um país que gera preocupação, interferindo ativamente em regiões altamente sensíveis que sofrem com conflitos e tensões constantes", declarou à RT. Segundo ele, além de fornecer armamentos a grupos rebeldes, as forças de Kiev recrutam e treinam mercenários na África, principalmente para empregá-los no conflito com a Rússia.

O especialista afirmou que, em vez de cooperar no combate ao terrorismo, Kiev apoia grupos armados e "lhes fornece armamento estratégico de alta qualidade, que representa uma séria ameaça aos exércitos regulares e aos Estados estáveis, podendo provocar desestabilização e gerar tensões na região". "Esta é uma situação extremamente grave, com importantes implicações estratégicas, políticas e de segurança para o futuro", ressaltou.

Intervenção da Ucrânia em conflitos na África

Nesse contexto, o analista lembrou que, em julho de 2024, os serviços de inteligência ucranianos prestaram apoio aos insurgentes durante a chamada batalha de Tinzaouatene, no norte do Mali, em seu confronto com o Exército do país. Em resposta, Mali e Níger romperam relações diplomáticas com Kiev. Já Burkina Faso pediu que a comunidade internacional reagisse ao apoio da Ucrânia ao terrorismo no continente africano.

Segundo Bu Saeeda, esses acontecimentos apontam para "a clara intenção da Ucrânia de interferir nos assuntos internos dos países da região africana do Sahel" — uma ampla faixa situada entre o deserto do Saara, ao norte, e as savanas mais úmidas, ao sul — em meio ao confronto com a Rússia.

"Essas circunstâncias estabelecem uma importante conexão entre diversos relatórios que, por sinal, provêm da mesma fonte e confirmam a participação ativa da Ucrânia nesses países do Sahel, bem como na Líbia", acrescentou.

Ao comentar a instabilidade na Líbia, o pesquisador afirmou que "já se percebe a presença ucraniana" nos confrontos na capital, Trípoli, originados pelas numerosas facções que disputam diferentes áreas da cidade e estão subordinadas a diferentes grupos. Segundo ele, Kiev "fornece apoio logístico, incluindo treinamento e equipamentos" aos grupos armados.

"Todas essas ações estão criando um clima geral negativo contra a Ucrânia que, em vez de se concentrar em seu conflito interno, busca exportar essa instabilidade para outros países", declarou.

Recrutamento de mercenários e esgotamento do Exército ucraniano

Bu Saeeda também afirmou que forças ucranianas estão presentes em acampamentos especiais a leste de Trípoli, na região conhecida como Tajura, onde diversos grupos estão instalados.

"Esses grupos começaram a aceitar um grande número de mercenários em seus acampamentos, como demonstram diversos relatórios e testemunhos, incluindo pessoas do Sudão e de outros países", sustentou.

Segundo relatos, os mercenários "estão sendo recrutados e treinados para serem transferidos a outros grupos no Mali, a fim de combater o Exército malinês e até mesmo as forças russas". Ele acrescentou que esses combatentes também poderão ser utilizados na Ucrânia, que enfrenta uma "grave escassez" de efetivo militar.

"Segundo informações obtidas em campo, especialistas ucranianos estão presentes em diversos acampamentos de grupos líbios e utilizam drones especiais. Além disso, existem relatórios independentes que descrevem a transferência de drones da Ucrânia para a Líbia e seu posterior envio para a região africana do Sahel. Essas informações foram registradas e documentadas", detalhou.

Ele acrescentou que o atual declínio da Ucrânia, a mobilização forçada, o endurecimento das penas por meio de novas leis e os casos de jovens que deixam o país para evitar o serviço militar obrigatório ocorrem em um contexto de esgotamento do Exército ucraniano.

"Todos esses fatores indicam uma crise nas Forças Armadas ucranianas e sérias dificuldades para repor o efetivo", explicou, acrescentando que Kiev "busca alternativas e recorre a outros métodos de mobilização, especialmente devido ao menor custo".

"Kiev quer demonstrar que não está em um beco sem saída"

Ao mesmo tempo, o regime ucraniano também é guiado por outras considerações estratégicas, buscando "demonstrar aos seus aliados ocidentais que não está em um beco sem saída, mas que é capaz de lutar em outras regiões contra os interesses russos", continuou Bu Saeeda.

Segundo ele, trata-se, em particular, de uma tentativa de Kiev de "obter o apoio dos Estados Unidos e envolvê-los em sua luta contra a Rússia por todos os meios possíveis".

"Embora não tenha ocorrido um encontro direto entre Vladimir Zelensky, Benjamin Netanyahu e Donald Trump, é plausível supor que os três compartilham interesses na região, seja no Oriente Médio, no contexto das ações de Israel contra Gaza e da guerra com o Irã, seja nas preocupações dos EUA com a expansão da influência russa na África", opinou.

Assim, concluiu que todos esses fatores fazem parte da agenda da Ucrânia, que "busca oportunidades para alinhar seus interesses aos dessas duas partes em seu conflito com a Rússia".

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