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Onda de suicídios abala sede do primeiro-ministro francês

As investigações começaram após uma denúncia feita em 25 de junho por uma funcionária do departamento de correspondência do premiê. Ela acusa quatro superiores de "assédio psicológico", o que a teria levado a tentar suicídio em abril deste ano, atirando-se nos trilhos do trem.
Onda de suicídios abala sede do primeiro-ministro francêsLegion-media.ru / Petr Kovalenkov

Uma série de tentativas de suicídio e automutilação entre funcionários do Palácio Matignon, residência oficial e sede do primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu, levou as autoridades a iniciarem investigações internas e judiciais para esclarecer o ocorrido, informou o jornal Le Figaro na segunda-feira (5).

As investigações começaram após uma denúncia feita em 25 de junho por uma funcionária do departamento de correspondência do primeiro-ministro. A mulher acusa quatro superiores de "assédio psicológico", o que a teria levado a tentar suicídio em abril deste ano, atirando-se nos trilhos do trem.

A funcionária, que ingressou no Ministério das Relações Exteriores em 2022, alega ter sido marginalizada de suas funções, excluída de reuniões e progressivamente isolada do ambiente profissional, apesar de advertências internas.

Um representante do Gabinete do primeiro-ministro apresentou um relatório às autoridades detalhando diversas tentativas de suicídio e uma morte suspeita entre funcionários de diferentes departamentos do órgão.

Tentativas de suicídio e morte suspeita

Entre os casos apresentados está o de um membro do Serviço de Informação Jurídica e Administrativa que, em 6 de outubro de 2025, tentou suicídio em seu posto de trabalho, cortando a garganta com um estilete. O relatório também menciona o suicídio, em 24 de março do mesmo ano, de um funcionário da Secretaria-Geral de Investimentos que trabalhava remotamente, bem como a tentativa de suicídio de um servidor público que tentou se jogar na frente de um trem em abril.

A isso se soma a morte de um jovem funcionário da Direção Interministerial de Transformação Pública, cujo corpo foi encontrado em 17 de junho em um banheiro do Gabinete do primeiro-ministro, em Paris. Segundo o denunciante, diversos depoimentos apontam para um clima generalizado de tensão, marcado por instabilidade política, reorganizações em curso, cortes e práticas de gestão particularmente severas.

Em resposta, o Gabinete do primeiro-ministro afirmou que nenhum dos envolvidos trabalhava diretamente para Lecornu ou em seu gabinete, mas em diversos departamentos e serviços de apoio.