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Existe 'menopausa em homens'? Entenda o que acontece com o corpo após os 40

Diferente da menopausa, o declínio hormonal masculino (DAEM ou "andropausa") é um processo gradual que ocorre a partir dos 40 anos.
Existe 'menopausa em homens'? Entenda o que acontece com o corpo após os 40Gettyimages.ru / skynesher

Enquanto a menopausa encerra o ciclo reprodutivo feminino, geralmente entre os 45 e 55 anos, manifestando sintomas como sensações súbitas de calor, oscilações de humor e insônia, o público masculino também enfrenta uma transição hormonal significativa. Embora o processo seja distinto, os homens também atravessam uma fase de mudanças físicas e emocionais que impactam o bem-estar.

A condição, tecnicamente chamada deDeficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), inicia-se por volta dos 40 anos com uma redução progressiva nos níveis de testosterona.

Diferentemente do processo feminino, a maior parte da população masculina preserva níveis de testosterona dentro dos padrões de normalidade no envelhecimento. Contudo, observa-se uma vulnerabilidade em subgrupos específicos: após os 40 anos, entre 5% e 7% dos homens podem sofrer um declínio hormonal severo; esse percentual eleva-se para 20% a 30% na população acima de 60 anos

Segundo Roni de Carvalho Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, estima-se que, durante a "andropausa", um homem perca cerca de 1% de testosterona total por ano após os 40. Esse declínio pode ser acelerado por doenças ou estilo de vida, resultando em sintomas que vão além da queda da libido.

A falta do hormônio pode causar perda de energia, irritabilidade, alterações no sono, ganho de peso. A queda dos hormônios masculinos afeta também a função sexual, causando diminuição ou falta de libido, além de disfunção erétil

"Muitos homens ganham peso, diminuem massa magra e não conseguem repor essa massa. O ganho se torna mais difícil. Aliado às mudanças emocionais e físicas pode haver um princípio de depressão em alguns casos", afirma Fernandes, citado pelo o Globo.

Tratamento 

Estudos recentes indicam que níveis de testosterona abaixo de 600 ng/dL podem elevar em até 75% o risco de infarto e AVC, enquanto que valores acima desse patamar oferecem proteção cardiovascular e cerebral. Para Rebeca Filgueiras, geriatra, especialista em reposição hormonal e longevidade, manter o hormônio em níveis otimizados — idealmente entre 600 e 1.200 ng/dL — é crucial para garantir disposição, qualidade de sono, força física e maior autonomia na maturidade.

Filgueiras afirma que o tratamento deve ser individualizado, priorizando a análise do estilo de vida — como sono, alimentação e atividade física — antes de recorrer à reposição hormonal, visando garantir a autonomia e a longevidade do paciente.

"Quando o paciente chega com testosterona baixa, precisamos ver o que acontece na vida desse homem", disse a geriatra.