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Arqueólogos encontram na Rússia amuleto de mil anos com santo cristão e Medusa

Peça do século XI está entre as mais antigas descobertas no território medieval de Novgorod e revela influência bizantina.
Arqueólogos encontram na Rússia amuleto de mil anos com santo cristão e MedusaGettyimages.ru / Heritage Images

Arqueólogos encontraram em Staraya Russa, na Rússia, um amuleto do século XI com a imagem de um santo cristão em uma face e uma figura inspirada em Medusa na outra. Segundo a Universidade Estatal de Novgorod, a peça está entre as mais antigas desse tipo descobertas na região, informou o jornal Gazeta em publicação nesta segunda-feira (3).

O artefato reforça as evidências de que a cidade já possuía uma comunidade cristã organizada, oficinas artesanais e relações culturais estáveis com o Império Bizantino naquele período.

Em um dos lados do pingente aparece um santo, provavelmente Teodoro Estratelata. A face oposta apresenta uma cabeça feminina com cabelos semelhantes a serpentes, composição associada à Medusa da mitologia grega.

Fé e proteção

O objeto pertence à categoria dos zmeeviks, amuletos que chegaram por influência bizantina. Segundo Sergey Toropov, diretor do Centro de Pesquisas Arqueológicas da universidade, essas peças provavelmente eram utilizadas para proteção contra doenças.

"A principal característica do zmeevik é a combinação de imagens incompatíveis do ponto de vista da dogmática rigorosa", explicou Toropov.

A face principal costumava apresentar figuras cristãs, como Jesus Cristo, a Virgem Maria, o arcanjo Miguel ou santos associados ao combate a serpentes. No verso, aparecia uma composição não cristã inspirada em Medusa.

Alguns exemplares também possuem inscrições em grego com fórmulas de proteção. Para Toropov, a combinação poderia representar a vitória das forças luminosas sobre o mal.

Contexto arqueológico

O pingente foi localizado em uma antiga propriedade urbana que começava a ser ocupada no século XI. Apenas outros quatro amuletos semelhantes haviam sido encontrados em Staraya Russa, todos mais recentes, datados dos séculos XII a XIV.

Os pesquisadores acreditam que a peça tenha pertencido a um morador de condição econômica intermediária. Pessoas mais pobres não teriam recursos para adquiri-la, enquanto a elite utilizava adornos de prata e ouro.