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O movimento inesperado de dois aliados dos EUA que pressiona o dólar

Autoridades dos dois países venderam dólares e compraram suas moedas nacionais em uma intervenção coordenada no mercado de câmbio.
O movimento inesperado de dois aliados dos EUA que pressiona o dólarGettyimages.ru

Japão e Coreia do Sul adotaram uma medida que, até pouco tempo, era considerada pouco provável: as autoridades dos dois países intervieram de forma sincronizada no mercado de câmbio para sustentar suas moedas nacionais.

Intervenções coordenadas entre Tóquio e Seul são incomuns. Caso a operação tenha contado com a participação ou a aprovação dos Estados Unidos, ela poderá ser considerada um dos acontecimentos de maior impacto recente no mercado cambial mundial.

O que aconteceu?

Em 30 de julho, Japão e Coreia do Sulvenderam dólares em grande quantidade e compraram ienes e wones.

A operação conteve a desvalorização do iene japonês, que era negociado próximo dos níveis mais baixos em quase quatro décadas. Ao mesmo tempo, o won sul-coreano registrou valorização de cerca de 2% e atingiu seu maior nível em nove meses.

A Reuters avalia que a operação pode ter sido coordenada com os Estados Unidos, uma vez que a desvalorização do dólar favorece os exportadores norte-americanos.

O que isso significa?

Analistas consideram que a intervenção sincronizada dificilmente ocorreu por coincidência. "Os interesses de cada país estavam alinhados. No caso da cooperação entre Coreia e Japão, o won e o iene estão tão estreitamente vinculados que uma intervenção conjunta poderia duplicar o impacto", afirmou Lee Min-hyuk, analista do KB Kookmin Bank.

A medida também pode ter beneficiado os Estados Unidos.

"Quanto mais fraco é o dólar, mais isso favorece os exportadores norte-americanos. Ao aplicar uma política protecionista, Donald Trump não insiste por acaso na redução das taxas de juros e, consequentemente, no enfraquecimento do dólar. Isso pode contribuir para o aumento das receitas das empresas norte-americanas e estimular a produção de bens e serviços destinados à exportação", afirmou o analista financeiro Nikolay Dudchenko.

O Japão também é o maior detentor estrangeiro da dívida dos Estados Unidos, com mais de US$ 1 trilhão em títulos do Tesouro norte-americano. Por essa razão, a valorização do dólar aumenta os custos de Tóquio para manter esses ativos.

Analistas, no entanto, questionam se a medida produzirá efeitos duradouros.

"O problema foi apenas adiado por algum tempo, mas isso não resolve os riscos fundamentais decorrentes do nível muito elevado de endividamento, não apenas no Japão, mas também nos Estados Unidos, nem a sobrevalorização excessiva do mercado acionário norte-americano", afirmou o especialista em seguros Sergey Klisenko.