O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira (3) que existem provas e indícios, incluindo declarações do líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, que demonstrariam que o ataque ucraniano contra um navio mercante iraniano foi "premeditado".
Em declarações a jornalistas, o porta-voz informou que o lado ucraniano garantiu à República Islâmica que se tratou de uma "ação não intencional".
No entanto, afirmou que os fatos apontam para o sentido contrário. "As provas e os indícios são muito claros […] e mostram que este ataque foi premeditado", declarou.
Baghaei acrescentou que Teerã tomou conhecimento da explicação ucraniana e agora espera verificar, "na prática", se o regime de Kiev adotará "alguma medida que confirme e sustente sua afirmação de que este crime não foi intencional ou não".
"Sem dúvida, faremos tudo o que for necessário, tanto para responsabilizar a Ucrânia quanto para garantir que um erro e um crime desse tipo não voltem a se repetir por parte dela", concluiu.
Ligação feita pela Ucrânia
No domingo (2), o porta-voz afirmou que autoridades ucranianas telefonaram ao Irã para esclarecer a posição de Kiev sobre a guerra no Oriente Médio.
"Eles ligaram para dizer que não desempenhariam nenhum papel em uma guerra contra o Irã. Por outro lado, é nosso dever advertir sobre qualquer ameaça de uma nova agressão dos Estados Unidos, sobre qualquer aventureirismo", afirmou.
"De nossa parte, devemos transmitir as advertências e os alertas necessários tanto aos nossos amigos na região quanto aos nossos vizinhos. Todos devem saber que qualquer crime dos Estados Unidos, qualquer agressão militar norte-americana contra a República Islâmica do Irã, especialmente contra suas infraestruturas, terá inevitavelmente consequências graves que afetarão a todos", concluiu.
Tensões com o regime de Kiev
As declarações de Baghaei ocorrem em meio às tensões provocadas pelo ataque ucraniano a um navio mercante iraniano no mar Cáspio, registrado em 25 de julho. A ação provocou a explosão da embarcação, matou um marinheiro e deixou outro ferido.
Teerã condenou os acontecimentos e destacou que a ação representa uma violação da Carta das Nações Unidas e "um ato de agressão" capaz de intensificar e ampliar o conflito.
As autoridades iranianas também afirmaram que o ataque demonstra a continuidade da "atitude irracional e hostil do regime ucraniano em relação à República Islâmica do Irã", que, segundo Teerã, nunca interveio no conflito entre Moscou e Kiev.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrey Sibiga, conversou com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, e insistiu que "nunca tiveram a intenção de atacar embarcações ou pessoas civis".
O chefe da diplomacia iraniana afirmou nesta semana que não considerava crível a versão de Kiev de que o ataque ao navio teria sido "involuntário". Ele também declarou que o regime ucraniano deveria assumir de forma clara a responsabilidade por essa "ação ilegal e criminosa".
Moscou, por sua vez, denunciou que "tais ações criminosas demonstram claramente a intenção do regime de Kiev de ampliar o alcance geográfico de sua atividade terrorista".