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Imprensa internacional destaca potencial da Embraer para desafiar gigantes da aviação

Crescimento da fabricante brasileira e atrasos das rivais abrem espaço para disputa de um novo mercado.
Imprensa internacional destaca potencial da Embraer para desafiar gigantes da aviaçãoGettyimages.ru / John Keeble

A revista The Economist destacou na quinta-feira (30) o crescimento da Embraer e apontou que a fabricante brasileira pode encontrar uma oportunidade para disputar o mercado de aviões comerciais maiores, atualmente dominado por Airbus e Boeing. A empresa, porém, ainda não decidiu avançar nesse segmento.

Terceira maior fabricante mundial de jatos de passageiros, a Embraer entregou 141 aeronaves em 2021 e pode chegar a 255 em 2026. Em 24 de julho, a companhia informou que sua carteira de pedidos atingiu o recorde de US$ 34,5 bilhões (aproximadamente R$ 175,6 bilhões). Desde 2021, suas ações se valorizaram cerca de dez vezes.

A fabricante também se beneficia dos atrasos das concorrentes. Companhias aéreas precisam esperar de oito a dez anos por aviões maiores de corredor único da Airbus e da Boeing, que acumulam 16 mil encomendas. O E2, da Embraer, pode ser entregue em menos de dois anos.

Janela de oportunidade

A preferência crescente por voos diretos entre aeroportos menores amplia a procura por aeronaves de menor porte. A Embraer estima um mercado de 8,5 mil aviões desse porte nas próximas duas décadas. A empresa também registra crescimento nas vendas do jato executivo Phenom 300 e do cargueiro militar KC-390.

O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que a empresa precisa se preparar para um novo ciclo de produtos. Entre as possibilidades estão um jato executivo maior e, em uma iniciativa mais ambiciosa e arriscada, um avião comercial capaz de disputar espaço com Airbus e Boeing.

As concorrentes devem lançar substitutos para seus principais aviões de corredor único no fim da década de 2030. A Boeing estima um mercado de 36 mil aeronaves nas próximas duas décadas. Segundo Ron Epstein, do Bank of America, entrar nesse segmento levaria a Embraer ao "próximo nível".

O projeto, porém, teria custo estimado em cerca de US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 50,9 bilhões) e exigiria parceiros, fornecedores e investidores, segundo Alberto Valerio, do UBS. A tentativa da Bombardier de entrar nesse mercado quase levou a empresa à falência, enquanto o presidente da Airbus, Guillaume Faury, aconselhou a Embraer a "pensar duas vezes". Gomes Neto afirmou que a companhia está "muito confortável" com sua situação atual.