O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, pediu nesta sexta-feira (31) que a Espanha adote medidas semelhantes às implementadas por seu país para conter a migração irregular. O líder polonês advertiu que esse é o caminho para preservar o espaço Schengen de livre circulação na Europa.
"A Polônia endureceu suas leis de asilo, seus procedimentos de fronteira e construiu barreiras eficazes na fronteira com Belarus, que é a fronteira oriental da União Europeia. Investimos bilhões de euros e mobilizamos milhares de soldados, policiais e guardas de fronteira. A Espanha deve seguir nosso exemplo se quiser que o Schengen sobreviva", escreveu Tusk na rede social X.
A mensagem foi publicada em meio à crise migratória que atravessa a cidade autônoma espanhola de Ceuta, onde as autoridades estimam que cerca de 60 mil pessoas entraram de forma irregular em apenas dois dias, um número que superou a capacidade de resposta local.
Onda migratória
As declarações do chefe do governo polonês ocorreram em meio ao anúncio da Itália que suspendeu temporariamente o regime de livre circulação Schengen com a Espanha. Roma determinou o fechamento de suas fronteiras marítimas e aéreas com o país ibérico e avaliar um reforço dos controles terrestres em conjunto com a França.
Por sua vez, o presidente espanhol, Pedro Sánchez, classificou a situação como uma "violação da integridade territorial da Espanha" e atribuiu a chegada massiva de migrantes a uma interpretação que as redes de tráfico de pessoas fizeram de uma recente sentença do Tribunal Supremo sobre repatriação.
Segundo Sánchez, as máfias aproveitaram a decisão judicial para espalhar a informação de que quem chegasse a Ceuta nadando não poderia ser devolvido de imediato, o que teria provocado a avalanche migratória. O presidente afirmou que o governo mobilizou o Exército, reforçou o efetivo policial e acelerou os procedimentos de repatriação.
O espaço Schengen é composto por 29 países europeus e permite a livre circulação de pessoas sem controles de fronteira internos. A crise em Ceuta reabriu o debate sobre a gestão das fronteiras externas da União Europeia e levou vários governos a reivindicar medidas mais rígidas para conter a imigração irregular.