
Em meio à crise migratória, Rússia relembra fragilidade de direitos humanos na Espanha

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia divulgou, nesta sexta-feira (31), um relatório de junho assinado conjuntamente por Minsk e Moscou sobre a situação dos direitos humanos na Espanha. O documento ganha destaque diante da atual crise migratória na cidade enclave de Ceuta, que recebeu uma invasão de mais de 50 mil pessoas vindas da fronteira com o Marrocos.
Na apresentação do documento, os ministérios das Relações Exteriores da Rússia e de Belarus afirmam que a publicação busca expor violações em países que se apresentam como suposta referência na proteção dos direitos humanos.

O documento afirma que, ao analisar a situação nesses países, são identificados problemas como "racismo sistêmico, discriminação nas forças policiais, superlotação carcerária, dispersão de manifestações pacíficas", além do aumento de casos de "antissemitismo, sentimento anticigano, russofobia e islamofobia".
Casos práticos
Ao citar casos que exemplificam o problema, as autoridades russas e belarussas lembram que o problema no enclave espanhol não é recente. "Centros de acolhimento temporário de migrantes em Ceuta e Melilla também representam um problema grave, onde o número de migrantes frequentemente excede os limites permitidos", afirma.
Este fato resulta em "baixo nível de assistência médica e sanitária prestada, que é claramente insuficiente para as famílias e indivíduos de categorias vulneráveis ali alojados."
Além disso, o documento aponta para registros de violência e maus-tratos que passam sem investigação. Soma-se a isso questões de ampla seriedade, como a ocorrência de tráfico de mulheres.
"Em julho de 2025, 37 pessoas pertencentes a uma organização criminosa envolvida na exploração de 162 mulheres da América Latina foram presas", aponta.
Racismo e russofobia
Já sobre racismo, o relatório relembra de casos de notoriedade, inclusive em eventos públicos esportivos. "Durante a partida de futebol entre Real Madrid e Atlético, em 4 de março de 2025, ofensas racistas foram dirigidas ao jogador Brahim Díaz devido à sua origem marroquina. Em 19 de março de 2025, o jogador do Barcelona Lamine Yamal foi alvo de ataques racistas por cumprir rituais religiosos durante o Ramadã."
Racismo que, também, se confunde com russofobia em muitos casos. "Cidadãos russos e de língua russa enfrentam periodicamente manifestações de agressão e perseguição, vindas principalmente de indivíduos de origem ucraniana com orientação nacionalista. Desde março de 2022, o Centro de Assistência Jurídica aos Compatriotas Russos na Espanha recebeu mais de 940 solicitações", informa.

