
Coca-Cola roubada da Itália? Documento do século XIX revela elixir com ingredientes semelhantes

Um documento antigo encontrado por um frade em Florença descreve uma bebida medicinal com ingredientes semelhantes aos usados na fórmula original da Coca-Cola, levantando especulações sobre uma possível ligação histórica entre as duas receitas, segundo reportagem do The Guardian publicado na quinta-feira (31).
A descoberta foi feita pelo padre Manuel Russo, reitor do convento de San Marco, enquanto organizava os arquivos da antiga farmácia do local.
Entre documentos antigos, ele encontrou um folheto promocional do fim do século XIX que anunciava um "elixir reconstituinte de vinho" produzido pelos frades.

A bebida levava 10 gramas de folhas de coca boliviana, 30 gramas de noz de cola e vinho, e era vendida como um remédio contra o desgaste físico e mental provocado por doenças ou pelo envelhecimento.
O documento pertence a um período em que os frades comercializavam folhas de coca importadas da Bolívia por missionários, décadas antes da proibição internacional da cocaína em 1961, devido ao uso de alcaloides da planta na produção da droga.
Sete anos depois da data estimada do documento florentino, em 1886, o farmacêutico americano John Pemberton criou um xarope que combinava extrato de folhas de coca e noz de cola.
A diferença principal era a ausência de vinho: devido às restrições locais ao álcool, Pemberton utilizou água gaseificada, dando origem à Coca-Cola.
A descoberta levou veículos italianos a questionarem se Florença poderia ter sido a origem da bebida que se tornaria mundialmente conhecida.
Russo, porém, evita afirmar que exista uma ligação direta entre as fórmulas. Segundo ele, na época, outros produtores na Itália e na França também fabricavam bebidas medicinais à base de coca, o que indica que as receitas podem ter surgido de forma independente.
