PCC e CV usavam IA e promessa de 'limpar nome' para aplicar golpes

Auditoria do TCU analisou 1.770 anúncios fraudulentos, dos quais 83,2% foram impulsionados nas redes sociais

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) usavam, desde julho de 2024, inteligência artificial e anúncios falsos em redes sociais para aplicar golpes com promessas de "limpar o nome".

As facções manipulavam imagens e vozes de autoridades para divulgar benefícios públicos inexistentes. As vítimas eram direcionadas a páginas fraudulentas, nas quais forneciam dados pessoais e pagavam supostas taxas via Pix.

Entre 10 e 21 de janeiro de 2025, os auditores analisaram 1.770 anúncios fraudulentos e constataram que 83,2% haviam sido impulsionados por pagamento. Algumas peças exibiam pessoas em filas de bancos para levar os usuários aos canais controlados pelos criminosos.

Aposentados, famílias de baixa renda e pessoas com orçamento limitado eram os principais alvos. As informações coletadas também eram repassadas a redes especializadas em clonagem de cartões e golpes pelo WhatsApp*.

Programas clonados

No caso do Desenrola Brasil, os anúncios circulavam ao menos desde 7 de julho de 2024. As peças ofereciam falsas renegociações de dívidas e cobravam pagamentos para solucionar pendências financeiras.

As fraudes relacionadas ao Voa Brasil começaram em 25 de julho daquele ano, pouco depois do lançamento do programa. Aposentados do INSS eram direcionados a consultas falsas de elegibilidade e à compra de passagens aéreas inexistentes.

O esquema também incluía anúncios sobre valores a receber e supostos serviços do Banco Central. Logotipos oficiais e elementos visuais de instituições como a Caixa Econômica Federal eram reproduzidos para dar aparência legítima às ofertas.

*Rede social do conglomerado META, classificado na Rússia como uma organização extremista.