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OMS vê alta capacidade do Brasil para ajudar países lusófonos no combate a doenças

Infectologista afirma que idioma comum pode acelerar intercâmbio científico e destaca inteligência artificial como aliada no enfrentamento de epidemias.
OMS vê alta capacidade do Brasil para ajudar países lusófonos no combate a doençasGettyimages.ru / Andre Coelho / Correspondente autônomo

O médico infectologista brasileiro Marcus Lacerda, diretor do Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que os países de língua portuguesa passaram a ser uma prioridade da iniciativa, que pode contar com apoio da expertise brasileira.

Em entrevista à ONU News na quarta-feira (29), ele defendeu que o português seja usado como ferramenta para fortalecer a cooperação científica e acelerar o combate às chamadas doenças tropicais, como dengue, zika e malária.

À frente do programa desde março, Lacerda explicou que o TDR atua há mais de cinco décadas na formação de pesquisadores em países de baixa e média renda, além de apoiar o desenvolvimento e a implementação de medicamentos, vacinas e outras tecnologias.

"Não adianta registrar ou desenvolver uma droga ou vacina se ela não chegar até as pessoas que mais precisam", afirmou.

Destaque brasileiro

Segundo o infectologista, o Brasil se destaca pela capacidade de pesquisa e produção de tecnologias para o enfrentamento dessas doenças, impulsionado por instituições como a Fiocruz e o Instituto Butantan.

Já os países africanos de língua portuguesa ainda enfrentam dificuldades para ampliar a cooperação na área da saúde, apesar da existência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"Esses vários países devem usar a língua como uma ferramenta de intercâmbio de experiências", defendeu Lacerda, ressaltando que a presença de um brasileiro na direção do TDR reforça a prioridade dada às nações lusófonas.

Novas tecnologias

O diretor também apontou que a burocracia em processos regulatórios e de aprovação ética dificulta a transformação de evidências científicas em políticas públicas. Segundo ele, a implementação de novas tecnologias precisa considerar as características culturais e sociais de cada população.

Para os próximos anos, Lacerda avalia que a inteligência artificial terá papel central no enfrentamento das doenças tropicais. Além de facilitar a produção científica de pesquisadores de países em desenvolvimento, a tecnologia poderá ser usada para criar modelos preditivos capazes de antecipar surtos e epidemias.