Ministério Público da Bolívia emite mandado de prisão contra Evo Morales

O ex-mandatário é acusado de terrorismo, atentado contra a segurança e a soberania do Estado por meio de levantes armados, associação criminosa, atentados contra os serviços públicos e incitação pública ao crime.

O Ministério Público do departamento boliviano de Santa Cruz emitiu nesta quarta-feira (29) um mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales e outras pessoas, acusadas de diversos crimes relacionados à perturbação da ordem pública.

Segundo o documento, Morales e seus corréus — cujos nomes não foram divulgados — são acusados pelos crimes de terrorismo, levantes armados contra a segurança do Estado, associação criminosa, incitação pública ao crime e atentado contra a segurança dos meios de transporte e dos serviços públicos. A acusação tem como base uma ação apresentada pelo Comitê Cívico Pró-Santa Cruz e pelo Ministério do Governo.

A imprensa local informa que a investigação faz parte das apurações relacionadas aos bloqueios de estradas realizados em maio e junho.

Os protestos duraram 53 dias e perderam força apenas depois que a Central Operária Boliviana concordou em iniciar um diálogo com o Executivo. No entanto, outras organizações, como a Federação de Camponeses de La Paz Túpac Katari, decidiram manter as mobilizações.

Diante disso, o presidente Rodrigo Paz anunciou a entrada em vigor do estado de exceção para, segundo afirmou, "devolver" a normalidade ao país, o que levou ao fim das manifestações de rua.

Por outro lado, o ex-mandatário afirma ser vítima de "uma brutal perseguição judicial e política", iniciada em 2024 com uma investigação por supostamente ter mantido um relacionamento com uma menor de idade, do qual teria nascido uma menina. Tanto ele quanto sua defesa negam as acusações e sustentam que a outra parte envolvida apresentou documentos que desmentem toda a acusação.