A Fundação Cacique Cobra Coral anunciou em suas redes na segunda-feira (27) o rompimento de uma parceria mantida com a Argentina há mais de quatro décadas.
A assistência climática da instituição brasileira ao país foi suspensa em resposta às declarações do presidente Javier Milei, que atacou o governo brasileiro durante convenção do Partido Liberal (PL) no domingo (26), evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
- As críticas de Milei incluíram ataques ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, classificado pelo argentino como "lixo careca".
- O governo brasileiro reagiu convocando o embaixador argentino e emitindo nota pelo Itamaraty, destacando a ausência de precedentes para tamanha agressão por parte de um presidente estrangeiro em território nacional.
A fundação classificou as falas do líder argentino como "ataque político" ao Brasil, afirmando que, enquanto não houver pedido formal de desculpas, o país vizinho ficará "por sua conta e risco em pleno início da atuação do fenômeno El Niño".
Relação precedente
A colaboração remonta à Guerra das Malvinas, em 1982, e se estendeu durante o governo de Raúl Alfonsín, primeiro presidente eleito democraticamente após o fim da ditadura militar argentina. Entre as ações realizadas, a fundação destaca uma "operação mística" conduzida em janeiro de 1989, durante grave crise energética.
Na ocasião, a entidade conveniada com o Ministério de Minas e Energia e diversos estados brasileiros teria atuado para influenciar o clima e atrair chuvas para bacias hidrográficas locais. O objetivo da suposta intervenção espiritual era recuperar os níveis de água necessários para a geração de energia nas hidrelétricas afetadas pela seca.
O fenômeno El Niño deve provocar chuvas acima da média na Argentina, especialmente nas regiões banhadas pelos rios Iguaçu, Paraná e Uruguai, evidenciando um momento delicado no campo climático para a região.