
Isenções de tarifas dos EUA superam 70% dos produtos exportados pelo Brasil

Mais de 70% (71,6%) dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos ficarão fora das novas tarifas adicionais anunciadas pelo governo norte-americano. É o que aponta um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta sexta-feira (24) pela Agência Brasil.
No total, a CNI calcula que a nova medida alcançará US$ 12,4 bilhões (R$ 63,2 bilhões) em exportações brasileiras, equivalente a 29,4% de todas as vendas do país aos Estados Unidos.
A nova cobrança de 12,5% atingirá 4.060 produtos brasileiros e fará com que 3.985 deles passem a enfrentar uma tarifa total de 37,5%, devido à soma com a sobretaxa anterior de 25%. Esse grupo representa US$ 10,8 bilhões (R$ 55 bilhões) em exportações.

Outros 75 produtos, com vendas de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,1 bilhões) aos Estados Unidos, serão tributados apenas pela nova alíquota de 12,5%, sem a incidência da tarifa anterior.
Tarifaço
A nova tarifa de 12,5% foi definida após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O governo dos EUA afirmou que o Brasil não teria mecanismos suficientes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.
A CNI contestou a justificativa e afirmou que o Brasil possui uma legislação avançada para combater esse tipo de prática, com mecanismos de fiscalização, responsabilização e proteção aos trabalhadores.
O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a continuidade das negociações entre os dois países para reduzir os impactos sobre as empresas brasileiras.
"É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado. Ao mesmo tempo, precisamos agir com rapidez para amenizar o impacto sobre as empresas prejudicadas", afirmou.
- Na quinta-feira (23), o Brasil, a União Europeia e outras 58 nações se tornaram alvo de novas tarifas dos Estados Unidos, sob a justificativa de combater o trabalho forçado e restringir a entrada de produtos ligados a cadeias de produção que utilizam essa prática.
- Países como Reino Unido, Canadá, Índia, México e Argentina receberão tarifa de 10%, enquanto determinados produtos da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Suíça e Taiwan serão taxados em 10% ou 12,5%. Os demais países investigados, entre eles o Brasil, estarão sujeitos à alíquota de 12,5%.
