
FMI destaca resiliência do Brasil diante de novas tarifas de Trump e projeta crescimento econômico

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou na quinta-feira (23) que a economia brasileira tem "mostrado "resiliência notável" diante de choques recentes, incluindo as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Segundo relatório da consulta anual do Artigo IV e avaliação do setor financeiro (FSAP) o impacto econômico direto das taxas americanas deve ser modesto, "consideradas as inúmeras isenções a essas medidas e a dependência limitada do Brasil em relação ao mercado dos EUA (que representará 11% das exportações brasileiras em 2025)".
"As exportações do Brasil têm se mantido resilientes, apesar das elevadas tarifas dos EUA, e o déficit em conta corrente diminuiu ligeiramente para 2,9% do PIB em 2025", afirmou a instituição.
O FMI projetou crescimento de 2,4% para o Brasil em 2026, impulsionado pelos preços elevados do petróleo e pela alta participação de fontes renováveis na matriz energética.
No entanto, o órgão alertou para riscos para as perspectivas de crescimento, que, no âmbito doméstico incluem a necessidade de um "esforço fiscal" maior para colocar a dívida pública em trajetória descendente e abrir espaço para investimentos prioritários.
"Uma postura fiscal mais firme apoiaria a desinflação e abriria caminho para taxas de juros mais baixas", afirmou o relatório. No âmbito internacional, o relatório apontou para os riscos ligados ao conflito no Oriente Médio.
- Nesta quinta-feira (23), o Brasil, a União Europeia e outras 58 nações se tornaram alvo de novas tarifas dos Estados Unidos, sob a justificativa de combater o trabalho forçado e restringir a entrada de produtos ligados a cadeias de produção que utilizam essa prática.
- Países como Reino Unido, Canadá, Índia, México e Argentina receberão tarifa de 10%, enquanto determinados produtos da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Suíça e Taiwan serão taxados em 10% ou 12,5%. Os demais países investigados, entre eles o Brasil, estarão sujeitos à alíquota de 12,5%.
