As novastarifas duplas (de 25% e 12,5%) impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem ter impacto limitado sobre a economia do país, embora afetem empresas e setores mais dependentes do mercado norte-americano. A avaliação é compartilhada por especialistas das empresas do ramo financeiro XP e do Goldman Sachs.
Em entrevista ao portal Poder360 nesta sexta-feira (24), durante a Expert XP 2026, o economista-chefe da XP, Caio Megale, afirmou que o efeito agregado das tarifas é "praticamente zero".
Segundo ele, as exportações brasileiras até cresceram com a reorganização do comércio global, mas o impacto é significativo para alguns segmentos. "O efeito micro é importante", disse, ao defender um programa temporário de apoio às empresas afetadas, sem subsídios permanentes.
O novo pacote tarifário elevou para até 37,5% as tarifas sobre parte dos produtos brasileiros. O governo brasileiro rejeita as alegações de trabalho forçado ou de concorrência desleal que embasaram as medidas juntamente com questões políticas ligadas à família Bolsonaro.
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Impacto em 0,3%
Em relatório divulgado também nesta sexta-feira e publicado pela imprensa especializada Bloomberg, o Goldman Sachs também avaliou que o impacto econômico será "limitado". O banco estima que as tarifas atinjam cerca de US$ 10,2 bilhões (R$ 51,9 bilhões) em exportações brasileiras aos EUA, o equivalente a 0,3% do PIB.
Segundo a instituição, as exportações para os Estados Unidos representam apenas 1,7% do PIB brasileiro, o que ajuda a explicar por que o tarifaço não deve comprometer o desempenho da economia.
O banco também destacou que produtos como café, suco de laranja, carne bovina, terras raras, farmacêuticos e peças de aeronaves ficaram fora da nova lista de tarifas.
Para o Goldman Sachs, o Brasil não deve retaliar os Estados Unidos antes das eleições de outubro. Caso haja uma resposta após o pleito, ela tende a ser "moderada e limitada", enquanto o governo brasileiro deve optar por linhas de crédito aos setores mais prejudicados.
Ajuda do governo
Além disso, o governo já anunciou o Programa Brasil Soberano 3, com linhas de crédito que somam R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas. Do total de recursos, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os financiamentos poderão ser destinados a capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além da prospecção e abertura de novos mercados.