O ex-conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos Mike Waltz, indicado pelo presidente Donald Trump para o cargo de embaixador norte-americano na Organização das Nações Unidas (ONU), protagonizou um bate-boca com o deputado democrata Ted Lieu durante uma audiência no Congresso nesta quarta-feira (22).
Waltz, que deixou o cargo de conselheiro de Segurança Nacional após escândalo envolvendo o compartilhamento de informações sigilosas sobre possíveis ações militares contra o Iêmen, foi confrontado por Lieu, que questionou sua aptidão para exercer a nova função.
"A razão pela qual você está aqui hoje, na sua posição, é porque você foi demitido. Sua posição anterior era a de conselheiro de Segurança Nacional. Você divulgou informações sigilosas que feriram norte-americanos e os colocaram em risco (...) As tropas estão expostas no Oriente Médio e você não sabe nem quantas pessoas se machucaram", afirmou o parlamentar.
Desconhecimento do campo
A crítica fez referência ao fato de Waltz ter informado, durante a audiência, que "mais de 100" militares norte-americanos foram feridos noconflito contra o Irã.
Lieu rebateu dizendo que o número correto era de 482 militares feridos, segundo dados do Departamento de Defesa dos EUA, e acusou o ex-conselheiro de desconhecer informações básicas sobre a operação militar.
Virou pessoal
Em meio ao confronto sobre os números, Waltz interrompeu o deputado com um ataque pessoal. "Tente ser reeleito", disparou. Lieu respondeu imediatamente: "Eu vou".
Waltz insistiu: "Você deveria tentar".
Apesar das críticas da oposição e do escândalo do vazamento, Waltz segue indicado pelo governo Trump para representar os Estados Unidos na ONU. O confronto com Ted Lieu foi um dos momentos mais intensos da audiência desta quarta-feira (22).
Confronto no Oriente Médio
- Estados Unidos e Irã vêm trocando ataques militares há vários dias, em meio a uma escalada que incluiu bombardeios norte-americanos contra o território iraniano e represálias de Teerã contra bases dos Estados Unidos na região. O Comando Central dos EUA também anunciou a retomada do bloqueio naval aos portos iranianos.
- Donald Trump advertiu que os ataques continuarão até degradar as capacidades militares iranianas e ameaçou destruir usinas elétricas, pontes e alvos do setor energético caso a República Islâmica se recuse a negociar.
- Teerã afirma que atua em resposta às violações do memorando de entendimento por parte de Washington. O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica advertiu que "nem uma única gota de petróleo ou gás" será exportada da região enquanto continuarem as agressões norte-americanas.