
Avanço de porta-aviões chineses complica perspectivas da Marinha americana

A China está construindo rapidamente uma força aérea naval que poderá alterar o equilíbrio de poder no Pacífico. Com três porta-aviões em serviço — Liaoning, Shandong e o novo Fujian — e uma projeção do Pentágono de até nove até 2035, Pequim passou de experimentar com um navio reformado da era soviética para implantar navios de grande porte com catapultas eletromagnéticas e grupos aéreos avançados em formação.

Para a Marinha dos EUA, a questão não é mais se um porta-aviões chinês é similar ao Gerald R. Ford, mas como administrar uma corrida em que a China possa concentrar mais unidades em sua região enquanto Washington lida com seus compromissos globais.
O porta-aviões Fujian representa um avanço significativo: ele conta com catapultas EMALS, um convés de voo maior e capacidade para lançar aeronaves mais pesadas.
O Departamento de Defesa dos EUA prevê que sua futura ala aérea incluirá caças furtivos J-35, variantes avançadas do J-15 para guerra eletrônica, aeronaves de alerta aéreo antecipado KJ-600, helicópteros e sistemas não tripulados.
Tudo isso proporcionaria ao gigante asiático capacidades de vigilância marítima, comando e controle muito superiores às oferecidas atualmente pelos porta-aviões Liaoning e Shandong.
Vantagem global ainda é dos EUA
Por trás da ambição está uma base industrial naval incomparável. Estaleiros chineses as Jiangnan — construtor do Fujian — produzem mais da metade da tonelagem mercante mundial e rotineiramente combinam contratos civis e militares.
Esse ecossistema oferece docas secas enormes, cadeias de suprimentos extensas, soldadores e projetistas experientes e uma demanda constante que permite o planejamento a longo prazo.
Converter a capacidade da marinha mercante em porta-aviões não é um processo automático — navios de guerra exigem engenharia, sistemas de aviação, armamentos e padrões muito diferentes —, mas isso dá a Pequim uma margem de manobra que Washington não tem: os EUA dependem de um único estaleiro, Newport News, para seus porta-aviões nucleares, e hoje os porta-aviões da classe Ford levam de 10 a 11 anos para serem concluídos, em comparação com os 7 a 8 anos necessários para os porta-aviões da classe Nimitz.
A vantagem global permanece com os Estados Unidos: onze porta-aviões de propulsão nuclear, grupos aéreos consolidados, décadas de experiência operando em todos os tipos de mar e uma rede logística global.
No entanto, o impacto de uma frota chinesa de cinco, seis ou mesmo nove porta-aviões seria principalmente regional. Pequim poderia rotacionar seus grupos de porta-aviões para manter vários sempre disponíveis perto de pontos críticos — Taiwan, Mar da China Oriental, Mar da China Meridional — apoiados por aeronaves, mísseis, radares e bases terrestres.
A Marinha dos EUA, por outro lado, precisa cruzar o Pacífico, manter o reabastecimento no mar, operar sob a ameaça de mísseis antinavio de longo alcance e conciliar a região Indo-Pacífica com a Europa, o Oriente Médio e outros teatros de operações.
