
Aliados dos EUA no Golfo estão exasperados com escalada da guerra com Irã

A frustração dos aliados americanos no Golfo Pérsico com a escalada entre Washington e Teerã começa a vir à tona. Segundo a Bloomberg, há divergências crescentes sobre como a Casa Branca deveria agir para encerrar o conflito.
Alguns oficiais de países da região acreditam que Donald Trump deveria ser mais firme. A sugestão inclui o possível envio de tropas americanas para certas áreas do Irã ou a tomada da Ilha de Kharg, centro estratégico das exportações petrolíferas iranianas.
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Na visão dessas autoridades, sem uma ameaça credível de força, Teerã não cederá sobre o Estreito de Ormuz nem abrirá mão do controle dessa crucial via navegável. Mas há um porém: uma operação desse porte poderia desencadear retaliações iranianas em toda a região, disparar os preços do petróleo e expor milhares de militares americanos a ataques difíceis de conter.
Catar e aliados pedem trégua
Nem todos pensam igual. O Catar, que lidera esforços de mediação junto com o Paquistão, rejeita qualquer expansão militar e clama por uma desescalada imediata. A preocupação é evitar que a região repita os níveis de violência de março e início de abril, quando os EUA e Israel bombardearam cidades iranianas e Teerã respondeu com milhares de drones e mísseis balísticos contra vários países do Golfo.
A crise também provocou algo mais profundo: as monarquias do Conselho de Cooperação do Golfo começam a questionar a capacidade americana de protegê-las. Isso reacendeu o interesse delas em reforçar acordos de defesa com governos europeus.
Michael Ratney, ex-embaixador dos EUA na Arábia Saudita, resumiu bem o clima: os países do Golfo estão frustrados e irritados, mas evitam demonstrá-lo publicamente porque estão "tentando administrar seu relacionamento com Trump". Para eles, o essencial é simples — retomar o fluxo de petróleo e que suas economias voltem ao normal.
