A China acusou nesta terça-feira (21) o Japão de manter um estoque de 44,4 toneladas de plutônio. A quantidade, segundo Pequim, seria suficiente para produzir "um grande número de ogivas nucleares".
A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, em resposta a comentários do ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, defendendo que o país discuta sua política nuclear "sem tabus".
Segundo Jian, o Japão é "internacionalmente reconhecido como um Estado com capacidade nuclear" e, há muito tempo, "mantém deliberadamente a capacidade de desenvolver rapidamente armas nucleares".
O porta-voz afirmou que forças políticas da direita japonesas estariam utilizando supostas "ameaças externas" e o argumento da "autodefesa" para se afastar da Constituição japonesa, do direito internacional e do regime global de não proliferação nuclear.
"A comunidade internacional deve estar extremamente vigilante e se opor firmemente" ao que classificou como "neomilitarismo japonês". Para o governo chinês, caso essas correntes políticas avancem na busca por armas ofensivas ou nucleares, "o Japão mais uma vez causará estragos no mundo, com consequências catastróficas".
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"Enganou a comunidade internacional"
Pequim classificou a manifestação como "extremamente rara, provocativa e perigosa" para um ministro da Defesa japonês em exercício no período pós-Segunda Guerra Mundial.
Segundo Jian, integrantes do atual governo já não escondem a intenção de abandonar os princípios históricos da política nuclear japonesa e desafiar a ordem internacional estabelecida após o conflito.
O porta-voz afirmou ainda que Koizumi tem defendido em fóruns internacionais o compromisso do Japão com uma política exclusivamente defensiva e com os princípios não nucleares, mas adota um discurso diferente no cenário doméstico.
"Que 'compromisso' é esse? Essas ações contraditórias revelam mais uma vez como o Japão se disfarçou e enganou a comunidade internacional", declarou.