O presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao afirmar que ele poderia vir ao Brasil, acompanhar as eleições e até montar um comitê em apoio a um adversário na disputa presidencial. A declaração foi feita durante a Convenção Nacional do PDT de 2026 nesta segunda-feira (20).
"Eu estou convidando quem quiser vir do mundo para ver as eleições aqui no Brasil. Quem quiser pode vir acompanhar. Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir apoiar o meu adversário, que venha. Que monte o comitê, porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país", provocou.
Lula afirmou que a presença de representantes estrangeiros não mudará o papel dos eleitores brasileiros na definição do resultado da disputa.
"Eu acho isso tão engraçado que eles podem até montar um comitê para apoiar o nosso adversário aqui. Porque não há neste país, a não ser vocês [povo], que decida que país a gente quer para os próximos anos nesse país".
Defesa da democracia orienta discurso
Ao tratar das eleições, Lula afirmou que seu grupo político pretende impedir o retorno ao governo de setores associados por ele ao negacionismo e ao fascismo.
"A gente está junto para ganhar as eleições, para ganhar as eleições. Nós não temos o direito de perder essas eleições. Nós não temos o direito de permitir que o negacionismo, que o fascismo, volte a pensar em governar esse país", pontou.
O presidente também acusou brasileiros, em referência à família Bolsonaro, de recorrer aos Estados Unidos para pedir a adoção de punições contra o Brasil.
"Outro dia eu disse, nesse país antigamente traidor era enforcado. Porque trair a pátria é uma coisa muito grave. E hoje nós temos não um, nós temos vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para os Estados Unidos impor punição ao Brasil".
Lula ainda mencionou o processo que retirou Dilma Rousseff da Presidência, em 2016, ao afirmar que não aceitará novos ataques à democracia.
"E quero assumir um compromisso com você. Não há possibilidade de a gente permitir que a democracia sofra mais um arranhão como sofreu no golpe contra Dilma Rousseff em 2016".
PDT confirma apoio à reeleição de Lula
Conduzida pelo presidente nacional do PDT e ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, a convenção reuniu dirigentes, parlamentares e pré-candidatos para discutir as eleições de outubro, as coligações partidárias e o posicionamento da legenda nos estados.
O encontro oficializou o apoio do PDT à reeleição de Lula e marcou o retorno do partido à aliança presidencial liderada pelo PT ainda no primeiro turno. Nas eleições de 2018 e 2022, a legenda apresentou Ciro Gomes como candidato à Presidência.
Antes da decisão, Lupi afirmou que o apoio representava uma escolha de "coerência" com o campo popular e democrático. Segundo o dirigente, a polarização nacional reduziu o espaço para uma candidatura própria do PDT ao Palácio do Planalto.