O presidente cubano Miguel Díaz-Canel, em entrevista exclusiva à RT, denunciou a narrativa midiática "supremacista, capitalista e imperialista" com a qual os Estados Unidos tentam encobrir sua culpa pelos desafios enfrentados pela ilha.
"Sempre caracterizo a agressão multidimensional que o governo dos Estados Unidos está atualmente empreendendo contra Cuba como tendo um componente ideológico, um componente cultural e um componente midiático", começou o presidente.
"Ideologicamente, eles estão tentando nos impor uma ideologia hegemônica. Culturalmente, estão tentando apagar nossa identidade. [...] E tudo isso está sendo sustentado pela mídia com uma estratégia de comunicação política massiva, supremacista, capitalista e imperialista, que tem um altíssimo componente de manipulação midiática. Muito caluniosa, muito enganosa", acrescentou.
"Temos visto isso não apenas no caso de Cuba; eles fazem isso no mundo todo", especificou. "Eles fizeram isso para manipular a situação na Venezuela, fizeram isso para justificar a guerra contra o Irã", denunciou.
"Acredito que, tão perverso quanto o prolongado bloqueio, é também perverso o modo desrespeitoso e cínico com que o governo dos Estados Unidos acompanha essa prorrogação, com uma narrativa que tenta ocultar sua culpa e a concentra no conceito desses estados falidos, como tenta exagerar todos os problemas que Cuba enfrenta sem reconhecer por que é a causa desses problemas", criticou.
Enquanto isso, as autoridades cubanas compreendem a necessidade de um trabalho meticuloso na construção de uma narrativa verídica para mostrar a real situação.
"Há mais de seis anos, declaramos a comunicação política, a comunicação social e a comunicação institucional como um dos pilares da gestão do partido e da gestão do governo", afirmou Díaz-Canel. "As relações que temos com veículos de comunicação como a Russia Today e outros veículos simpáticos a Cuba estão nos ensinando", enfatizou.
"Sempre acompanhamos vocês [a RT], sempre, quando queremos clareza em meio a tantas mentiras que circulam pelo mundo", disse Díaz-Canel.