O presidente de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, afirmou na sexta-feira (17), durante um discurso aos moradores da região de Yaadga, que países ocidentais deportaram e mataram africanos "de todas as formas possíveis" ao longo de 400 anos. Segundo ele, esse processo provocou um trauma que levou muitos africanos a desenvolverem uma relação semelhante à síndrome de Estocolmo.
Em sua fala, Traoré disse que esse comportamento não pode se tornar uma "doença comum" entre os povos africanos. Segundo o presidente, a síndrome de Estocolmo descreve uma situação em que uma pessoa passa a amar, defender e proteger quem lhe causa sofrimento.
"Os ocidentais vieram durante 400 anos, nos deportaram para trabalhar para eles e nos mataram de todas as formas possíveis. Nos traumatizaram tanto que agora os amamos; nós os amamos mais do que a nós mesmos", declarou.
Traoré afirmou que, se esse fenômeno não for reconhecido, os africanos podem ser considerados "perdidos" e "acabados". O presidente acrescentou que é necessário mudar essa postura, afirmando que, caso contrário, aqueles que agrediram o continente acabarão com os africanos "de uma forma ou de outra".