A Rússia e a Confederação dos Estados do Sahel (AES) realizaram nesta quarta-feira (8), em Niamey, capital do Níger, uma reunião ministerial.
Durante a abertura do encontro, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que Moscou pretende ampliar a cooperação com Burkina Faso, Mali e Níger nas áreas de integração regional, segurança, comércio e investimentos.
Lavrov declarou que a Rússia apoia o fortalecimento da soberania dos países do Sahel e disse que os dois lados compartilham a defesa de uma "ordem mundial multipolar mais justa" e a oposição às "práticas neocoloniais". O chanceler também afirmou que a cooperação deverá impulsionar as relações bilaterais e multilaterais entre Moscou e a AES.
Integração e soberania
Durante o encontro, Lavrov destacou os avanços na integração entre os três países do Sahel. Segundo ele, a abertura da Embaixada da Rússia no Níger faz com que Moscou passe a ter representação diplomática em todos os países do bloco.
O ministro russo também convidou os presidentes de Burkina Faso, Mali e Níger para participarem da terceira Cúpula Rússia–África, prevista para outubro, em Moscou. Segundo Lavrov, o evento terá como foco temas relacionados à economia, comércio e investimentos e contará ainda com um Fórum Econômico e Humanitário.
A aproximação entre Moscou e os governos do Sahel ocorre em um momento de afastamento dos países da região em relação às antigas potências coloniais, especialmente a França.
Movimento anticolonialista
No dia 26 de junho, o governo de Burkina Faso anunciou o rompimento das relações diplomáticas com a França. A decisão entrou em vigor imediatamente e foi apresentada como parte da política de reforço da soberania nacional adotada pelo governo de transição.
Nos últimos anos, Burkina Faso, Mali e Níger passaram a adotar uma agenda de maior autonomia em relação aos países ocidentais, acompanhada da retirada de tropas francesas e da criação da Confederação dos Estados do Sahel, bloco formado pelos três governos para aprofundar a cooperação política, econômica e de segurança.
O presidente de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, tem sido uma das principais vozes desse movimento. O líder burquinense defende o fortalecimento da soberania nacional, a cooperação entre os países africanos e critica o que considera interferências externas na região.