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À RT, ex-integrante da ALN exalta Fidel e diz que Cuba apoiou resistência à ditadura brasileira

Manoel Cyrillo relembra a influência da Revolução Cubana sobre a resistência armada da esquerda brasileira contra o regime totalitário e afirma que a ilha oferecia treinamento a militantes brasileiros.
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O ex-integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN) Manoel Cyrillo afirmou, em entrevista à jornalista Milena Portella, correspondente da RT no Brasil, que Fidel Castro foi uma das principais referências para a esquerda armada latino-americana.

De acordo com o ativista histórico, Cuba desempenhou papel decisivo no apoio à resistência contra a ditadura militar brasileira (1964-1985). Ele classificou o líder cubano como "um cidadão de valor" e afirmou que a ilha oferecia treinamento militar à resistência brasileira.

Segundo Cyrillo, Fidel representava "a correção política" da Revolução Cubana e conseguiu mobilizar não apenas jovens da América Latina, mas também o próprio povo cubano.

"Toda política que ele implantou, toda política do Estado cubano, estava correta", afirmou. O ex-militante também destacou o apoio de Cuba à independência de Angola e à luta brasileira, dizendo que "a solidariedade que ele dedicou aos povos" foi uma de suas principais marcas.

Cuba, Dirceu e a captura do embaixador dos EUA

Ao comentar a relação da ALN com a ilha, Cyrillo afirmou que Cuba era vista como um país aliado da organização. "A gente enxergava Cuba como um país solidário à nossa causa, que nos ajudava oferecendo treinamento", disse.

Ele citou ainda José Dirceu, um dos presos políticos libertados após a captura do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, e afirmou que era "natural" que alguns militantes seguissem para Cuba após deixarem a prisão.

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Cyrillo também relembrou a ação contra Elbrick, em 1969, e rejeitou o termo "sequestro".

"Sequestro é crime. O que aconteceu ali foi uma captura", declarou. Segundo ele, a operação tinha dois objetivos: garantir a libertação de presos políticos e romper a censura da ditadura. "A gente pedia só duas coisas. A primeira, a troca de prisioneiros. [...] E a segunda coisa era a quebra da censura", afirmou.

O ex-militante disse ainda que a divulgação do manifesto da ALN em 1969 nos meios de comunicação representou o sucesso da operação. "Quando nós entramos na casa, a televisão estava transmitindo o nosso manifesto. [...] O que isso significou para a gente? Ganhamos a ação", afirmou.

  • A Ação Libertadora Nacional (ALN) foi uma organização de esquerda fundada por Carlos Marighella em 1967, que defendia a luta armada contra a ditadura militar instalada no Brasil em 1964. Sua ação mais conhecida ocorreu em setembro de 1969, quando militantes da ALN e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) capturaram o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick. Em troca da libertação do diplomata, exigiram a soltura de 15 presos políticos e a leitura, em cadeia nacional de rádio e televisão, de um manifesto contra o regime militar, rompendo temporariamente a censura imposta pela ditadura.