O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta sexta-feira (17) que os EUA vivem uma "nova e mais perigosa versão do macartismo" e criticou o que classificou como o avanço de alianças transnacionais de extrema direita.
Em publicação nas redes sociais, Díaz-Canel disse que essas alianças representam uma ameaça global e comparou sua atuação ao fascismo e à Operação Condor, coordenada por ditaduras sul-americanas durante a Guerra Fria.
Segundo o presidente cubano, esses grupos utilizariam o combate à chamada "esquerda radical" como justificativa para ampliar ações repressivas e intervenções internacionais. Ele também acusou a extrema direita de estar por trás de conflitos e violações de direitos humanos, citando o "genocídio" em Gaza, ataques no Irã, a "tortura" dos Estados Unidos e o embargo econômico imposto a Cuba.
Díaz-Canel afirmou ainda que a principal ameaça à humanidade é a "filosofia da pilhagem" que, segundo ele, orienta a atuação da extrema direita transnacional.
Mais cedo, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, criticou uma reunião convocada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre o "combate à esquerda global".
Segundo o ministro, o encontro teria como objetivo restabelecer práticas de perseguição e repressão política.
O cerco contra Cuba
Washington mantém um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. Desde que Trump assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025, os Estados Unidos intensificaram as medidas de asfixia total contra a ilha.
Essa política extraterritorial tem sido acompanhada de sérias ameaças. O próprio presidente dos Estados Unidos afirmou que estaria disposto a usar a força, se necessário, para derrubar o governo cubano, que, por sua vez, denuncia essas ações como um "genocídio".
O governo Trump, que mantém um destacamento militar no Caribe com tropas do Comando Sul dos EUA, admitiu reiteradas vezes que o objetivo de sua política contra a ilha é impedir qualquer tipo de receita para Havana e até bloquear o fornecimento de petróleo, essencial para suas necessidades energéticas.
A situação afeta gravemente a economia do país caribenho, que, nos últimos meses, sofreu o impacto de um bloqueio multidimensional reforçado por diversas medidas coercitivas da Casa Branca, colocando em risco serviços fundamentais como o abastecimento de combustível, eletricidade, saúde, educação, transporte, alimentos e turismo.