Fazenda prevê impacto limitado caso EUA apliquem tarifas sobre produtos brasileiros

Pasta afirma que exportações mostraram "resiliência" após tarifaço de 2025 e avalia que economia deve absorver eventual novo aumento de taxas.

O Ministério da Fazenda avaliou, nesta quarta-feira (15), que uma eventual ampliação das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros terá impacto macroeconômico limitado.

A projeção consta na edição mais recente do Boletim MacroFiscal, elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), em meio à investigação aberta por Washington com base na Seção 301.

Segundo a pasta, "o impacto macroeconômico esperado das novas tarifas americanas sobre a economia brasileira permanece reduzido". A avaliação considera o desempenho das exportações após o tarifaço anterior, imposto em agosto de 2025.

De acordo com a análise, "as exportações mostraram resiliência mesmo após a elevação tarifária de agosto de 2025, com recuperação gradual desde novembro". O documento acrescenta que os Estados Unidos responderam por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, o equivalente a menos de 2% do PIB antes do choque tarifário.

Ainda conforme a SPE, "o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda", razão pela qual "o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma".

Novas tarifas

A investigação da Seção 301 foi concluída em 1º de junho pelo governo americano. O relatório acusa o Brasil de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os Estados Unidos, citando temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sucesso do sistema de pagamentos PIX. Como resultado, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.

Na avaliação da Fazenda, mesmo que as novas taxas sejam implementadas, o impacto agregado deve permanecer moderado, já que a proposta prevê exceções para diversos produtos.

O ministério também destaca que as medidas adotadas pelo governo em 2025, voltadas à oferta de crédito, liquidez e diversificação de mercados, devem ajudar a reduzir os efeitos sobre os setores mais expostos.