Vinte e seis funcionários, entre atuais e antigos, da Meta* entraram com uma ação judicial na segunda-feira (13), no Tribunal Federal do Distrito Norte da Califórnia, alegando que a empresa utilizou ferramentas de inteligência artificial (IA) para selecionar trabalhadores para demissões em massa.
A ação questiona o corte de cerca de oito mil postos de trabalho em abril. O processo aponta que o uso de sistemas automatizados teria visado funcionários que solicitaram licenças médicas, de maternidade ou adaptações por deficiência.
Entre os casos relatados, uma cientista foi notificada de sua demissão apenas dois dias antes de dar à luz, enquanto um engenheiro teve sua avaliação reduzida após se afastar para tratar uma lesão.
Os autores alegam que o sistema de pontuação penaliza quem utiliza direitos legais de licença, pois as métricas de produtividade não consideram esses períodos de ausência.
Segundo a ação, um diretor confirmou o mecanismo por dentro, atestando que "a Meta anunciou um programa de desempenho baseado em IA chamado 'Checkpoint', no qual 'a adoção da IA pelos funcionários seria uma métrica central de avaliação'".
Ele também afirmou que a empresa "ocultou os detalhes do Checkpoint dos funcionários 'até depois da redução de pessoal de 20 de maio de 2026'" e que "monitorava os painéis de adoção de IA de sua organização 'quase diariamente', que 'não conseguiam distinguir as ausências dos funcionários da falta de engajamento'".
Alegações da Meta
Em uma mensagem ao jornal The Guardian, a Meta contestou as alegações, alegando que "não têm fundamento e não se baseiam em fatos" e que "a gestão da força de trabalho e as decisões organizacionais eram e são tomadas por pessoas, não por IA".
Em maio, um áudio vazado também revelou que o próprio CEO da Meta, Mark Zuckerberg defendeu em reunião interna no dia 30 de abril o monitoramento de funcionários e o rastreamento da atividade de dispositivos para treinar modelos de inteligência artificial (IA).
*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.