As vaias após um discurso de formatura na Universidade da Flórida Central (EUA), em que se afirmou que "a ascensão da inteligência artificial é a próxima Revolução Industrial", evidenciaram a resistência social à IA, informa a Axios.
Uma pesquisa recente da Gallup concluiu que apenas 18% dos jovens entre 14 e 29 anos afirmam ter esperança na IA. Por isso, caso tivesse consultado as tendências mais recentes, a palestrante Gloria Caulfield, uma importante figura do setor imobiliário da Flórida, talvez tivesse mudado suas palavras.
Essa rejeição pública, compartilhada por diferentes setores e gerações, é impulsionada pelo medo da substituição de empregos, pelos impactos ambientais e pela desigualdade econômica.
Uma pesquisa da Economist/YouGov revelou que mais de 70% dos americanos consideram que a IA avança rápido demais, com um consenso que inclui 68% dos republicanos e 77% dos democratas. Outro estudo apontou que a aversão à tecnologia aumentou de 34% há três anos para mais de 50% atualmente.
A oposição pública reduz investimentos em IA
Líderes da indústria de IA demonstram indiferença ou surpresa diante da crescente reação negativa do público, ignorando tendências que indicam uma possível desaceleração do setor.
Muitos executivos consideram a tecnologia inevitável, mesmo desconsiderando as evidências de rejeição. Isso fica evidente em declarações como a de Rahul Vohra, diretor-executivo da Superhuman Mail, que afirmou que a empresa não havia observado "nada disso".
Por sua vez, Avriel Epps, professora da Universidade da Califórnia em Riverside, afirmou que a tecnologia de IA é permanente, mas "o que não é inevitável é que essas tecnologias se integrem a todos os aspectos de nossas vidas, se tornem indispensáveis ou substituam os humanos".
Contudo, o verdadeiro risco para os laboratórios está no sentimento negativo do mercado, que pode se transformar em um peso financeiro severo caso limite o acesso ao poder computacional, seu recurso mais essencial.
De acordo com dados da Heatmap Pro, a resistência provocou o cancelamento de um número recorde de centros de dados de inteligência artificial no primeiro trimestre deste ano. Analistas do Morgan Stanley e da Jefferies afirmam que a oposição pública representa uma limitação significativa e está abalando a confiança dos investidores no setor de tecnologia.
Apesar da queda na confiança dos americanos nessa tecnologia, um estudo da Universidade de Stanford concluiu que a percepção global sobre a inteligência artificial aponta para um otimismo crescente, com a porcentagem de entrevistados que esperam mais benefícios do que riscos aumentando de 55% em 2024 para 59% em 2025.