Campanha de retratar Rússia como ameaça à Europa 'atinge níveis absurdos', afirma Moscou

Porta-voz da chancelaria russa critica relatório de centro de estudos holandês e acusa países europeus de alimentar uma narrativa anti-Rússia para justificar políticas militaristas.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou, nesta segunda-feira (13), um relatório divulgado pelo Centro de Estudos Estratégicos de Haia (HCSS). O documento analisa a chamada estratégia de "coerção abaixo do limiar" de Moscou na Europa.

Segundo ela, o documento integra uma campanha para retratar a Rússia como ameaça ao continente, que, em sua avaliação, atingiu níveis "absolutamente absurdos".

"O relatório que você mencionou, apesar da aparente seriedade sugerida pelo nome da instituição holandesa responsável por ele, é mais um exemplo disso", afirmou Zakharova.

A porta-voz rejeitou as acusações apresentadas no estudo, que cita supostas ações russas para enfraquecer a política da União Europeia, pressionar Estados-membros e realizar incursões de drones sobre infraestruturas críticas.

Narrativas anti-Rússia

Segundo ela, os autores tentam relacionar fatos sem conexão, como alegados voos de drones russos e a posição do primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, contrária ao uso de ativos russos congelados.

Zakharova também mencionou um episódio envolvendo o ministro da Defesa belga, Theo Francken, que teria pedido recursos para enfrentar uma suposta ameaça de drones russos.

Segundo a diplomata, uma investigação oficial concluiu posteriormente que "não havia drones, russos ou de qualquer outra origem", mas sim aeronaves convencionais confundidas com drones.

Para a representante russa, o caso demonstra que políticos e analistas europeus recorrem à narrativa anti-Rússia para justificar aumento de gastos militares.

"A retórica anti-Rússia na Holanda e na Bélgica, e em outros países da UE, tornou-se a nova normalidade política", disse. Ela acrescentou que essa estratégia serviria para "assustar os seus próprios cidadãos com uma imaginária 'ameaça russa'", além de desviar a atenção de problemas internos enfrentados pelos governos europeus.