Ministro da Defesa belga inventou ameaças de drones russos para obter verbas milionárias - imprensa

Reportagem da emissora pública VRT aponta ausência de evidências para ameaça citada pelo governo ao justificar compra milionária de sistemas antidrones.

O ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, enfrenta questionamentos após uma investigação do programa Pano, da emissora pública VRT, concluir que não há provas da presença de drones hostis no país, alegação utilizada para sustentar um plano acelerado de aquisição de sistemas antidrones avaliado em cerca de 50 milhões de euros (aproximadamente R$ 294 milhões na cotação atual).

Francken afirmou, no fim de 2025, que drones haviam sido "observados, em radar e visualmente, sobre instalações militares na Bélgica" e que ainda se investigava se os equipamentos "vinham dos russos". Meses depois, o programa informou que as investigações continuam sem conclusões e que "não há provas" de operações de drones inimigos no território belga.

O ministro negou, em redes sociais, que o episódio tenha sido "inventado" para ampliar recursos orçamentários. Ele declarou que os 50 milhões de euros não representam verba adicional, mas sim valores já previstos no orçamento de 2025. Segundo a VRT, Francken recusou participar da reportagem por considerar que "não era oportuno", assim como o chefe da Defesa das Forças Armadas, Frederik Vansina.

A investigação também destacou críticas internas ao processo de aquisição dos equipamentos. A Inspetoria de Finanças emitiu, em outubro de 2025, parecer negativo sobre os planos apresentados pelo Ministério da Defesa e alertou que, devido à urgência alegada pelo governo, as compras foram realizadas sem licitação pública.

O órgão classificou o procedimento como "contrário" às regras de contratação pública e apontou risco de "preços significativamente mais altos".