A importância do poder naval na política internacional cresce rapidamente, afirmou no sábado (11) o conselheiro do presidente russo e presidente do Colégio Marítimo da Rússia, Nikolay Patrushev, em entrevista ao jornal Komsomolskaya Pravda. Segundo ele, o controle de rotas marítimas estratégicas tornou-se um dos principais instrumentos de pressão e dissuasão no mundo.
Patrushev declarou que passagens como os estreitos de Malaca e de Ormuz, além do estreito de Bab el-Mandeb, assumem papel central na geopolítica.
"A importância do poder naval como fator cresce rapidamente no mundo. O controle sobre rotas marítimas estratégicas [...] torna-se um instrumento-chave de pressão e dissuasão", afirmou.
Impacto sobre cadeias globais
De acordo com Patrushev, o bloqueio de uma única rota marítima pode provocar o colapso das cadeias globais de abastecimento, citando como exemplo o Estreito de Ormuz.
Ele também afirmou que a Rússia depende de uma frota militar e mercante robusta para preservar sua posição internacional.
Segundo o conselheiro, "sem umafrota militar e comercial forte, a Rússia não pode ser uma grande potência nem competir na disputa geopolítica global".
Na entrevista, Patrushev também afirmou que a Rússia teria perdido o acesso ao mar Báltico, ao mar Negro e ao Ártico caso, na década de 1990, tivesse desmantelado toda a frota soviética e mantido apenas forças de guarda costeira.
"Se nosso país tivesse seguido o caminho que os pregadores do liberalismo queriam impor nos anos 1990, desmontando toda a frota soviética e mantendo apenas pequenas forças de proteção costeira, hoje não teríamos nem a costa do Báltico, nem a do mar Negro, nem o Ártico", disse.