
Trump questionou líderes sobre invasão da Venezuela em 2017, relata Temer

Donald Trump iniciou um jantar com presidentes latino-americanos perguntando quando os países da região pretendiam invadir a Venezuela, segundo relato de Michel Temer em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
"Quando é que vocês vão invadir a Venezuela?", teriam sido as palavras do presidente dos Estados Unidos.
O episódio ocorreu em 18 de setembro de 2017, em Nova York, na véspera da abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Além do então presidente brasileiro, participaram do encontro representantes da Argentina, da Colômbia e do Panamá.
"Foi a primeira pergunta que ele fez", afirmou Temer. Segundo o ex-presidente, a manifestação provocou constrangimento entre os participantes, que responderam a Trump com a defesa de medidas diplomáticas.
Presidentes descartaram intervenção militar
Temer relatou que cada representante explicou as iniciativas adotadas em relação ao governo de Nicolás Maduro. "Olha, presidente, nós estamos tomando providências de natureza diplomática", disseram os participantes, de acordo com o ex-presidente.

Os líderes também mencionaram as relações mantidas com a Venezuela e com a população do país. Ao mesmo tempo, citaram a suspensão venezuelana do Mercosul como parte das respostas adotadas na região.
Durante um pronunciamento aos convidados, Trump declarou que os Estados Unidos estavam preparados para adotar "ações adicionais" contra o governo Maduro. Na conversa com os presidentes, no entanto, concordou com a manutenção da via diplomática, sem uma intervenção militar.
Temer apresentou o episódio ao comentar as reações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva às declarações de Trump. O ex-presidente afirmou que recomendaria a Lula "amenizar as palavras" na condução da relação com Washington.
"É por isso que eu digo: 'Quando ele (Trump) diz uma coisa lá, se nós respondermos agressivamente aqui, vamos piorar a relação", declarou Temer ao ser questionado sobre a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
