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Ameba comedora de cérebro: cientistas alertam para possível expansão global

Infecção ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz, permitindo que a ameba alcance o cérebro através do nervo olfatório.
Ameba comedora de cérebro: cientistas alertam para possível expansão globalGettyimages.ru / KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY

A ameba Naegleria fowleri, conhecida popularmente como "ameba comedora de cérebro", voltou a chamar a atenção da comunidade científica. Estudo recente, publicado na revista científica Science Daily, alerta para o possível risco de expansão global.

Embora a infecção que causa (a meningoencefalite amebiana primária) continue rara, pesquisadores alertam que fatores como mudanças climáticas, aquecimento das águas e falhas em sistemas de abastecimento podem ampliar as áreas de risco nas próximas décadas.

Um outro estudo publicado em 2025 na revista científica One Health apontou que o microrganismo já está sendo encontrado além de sua área histórica de ocorrência.

Os autores defendem a criação de programas de monitoramento ambiental para detectar a presença da ameba em sistemas de água considerados de maior risco, em estratégia semelhante à usada para outros patógenos de importância para a saúde pública.

Alta letalidade

A doença é uma das mais letais conhecidas. Segundo uma revisão publicada em 2025 no Journal of Infection and Public Health, foram registrados 488 casos de meningoencefalite amebiana primária em todo o mundo entre 1962 e 2023.

Cerca de 97% dos pacientes morreram após a infecção. Os maiores números de casos foram observados nos Estados Unidos, Paquistão e Austrália.

Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) contabiliza 180 casos diagnosticados entre 1937 e 2025. A agência destaca que a infecção permanece rara, com variação de zero a oito casos por ano, mas observa que registros recentes vêm ocorrendo em regiões mais ao norte do país, fenômeno que especialistas associam ao aumento da temperatura das águas doces superficiais.

Outro foco de preocupação surgiu na Índia. Um estudo publicado em 2026 na revista científica Nature relata o aumento de casos confirmados nos estados de Kerala e Bengala Ocidental entre 2018 e 2025. A maioria dos pacientes tinha histórico de contato com lagoas, lagos ou piscinas de água doce contaminada, e muitas das infecções ocorreram em crianças e adolescentes.

Ambiente da ameba

A Naegleria fowleri vive naturalmente em águas doces quentes, como lagos, lagoas, rios e piscinas mal tratadas. A infecção ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz, permitindo que a ameba alcance o cérebro através do nervo olfatório. Não há transmissão por ingestão de água nem de pessoa para pessoa.