Quando a Rússia perder a paciência, não terá outra escolha senão responder à Europa, declarou a jornalista Margarita Simonyan, diretora do grupo RT, comentando o envolvimento do Velho Continente no conflito ucraniano.
"Não é a Ucrânia que está escalando o conflito. Não é a Ucrânia que está levando a guerra a Moscou. É a Europa que está escalando o conflito. É a Europa que está levando a guerra a Moscou. E por isso que Moscou, mais cedo ou mais tarde, vai se ver obrigada a responder", disse ela a Roger Köppel, jornalista do semanário suíço Die Weltwoche.
"Não percebem o envolvimento da Europa nisso?"
Simonyan enfatizou que, sem o fornecimento de armas do Ocidente, o regime de Kiev jamais teria tido capacidade para atacar a capital russa, sem mencionar os sistemas Starlink, que lhe fornecem todas as informações necessárias.
Segundo ela, foi o Ocidente que orquestrou a destruição das refinarias de petróleo russas. "E agora, em Moscou, nos arredores de Moscou, e de modo geral, praticamente em lugar nenhum tem gasolina", afirmou, referindo-se aos recentes ataques à cidade.
A jornalista explicou que é a Europa quem está atacando por meio da Ucrânia, e Moscou entende isso perfeitamente. "E quando sentimos que a nossa grande paciência angelical — e o povo russo é, acima de tudo, um povo incrivelmente paciente — chegou ao fim, a Europa não vai nos deixar outra opção a não ser responder. Por exemplo, atacar aquelas fábricas onde é fabricado o armamento que é fornecido à Ucrânia", enfatizou.
Por fim, Simonyan perguntou ao entrevistador: "Será que vocês realmente ainda acham que é a Ucrânia quem está fazendo isso? Não vê como a Europa está envolvida nisso, que é a Europa quem está fazendo isso através deles?"
Atos terroristas de Kiev
- Kiev realiza ataques constantes e direcionados contra a população civil nas províncias fronteiriças russas, além de lançar inúmeros drones contra a capital russa e seus arredores. Armas ucranianas atingem veículos, residências, locais de entretenimento, centros comerciais e outras infraestruturas civis.
- Em 22 de maio, as tropas de Kiev atacaram Starobelsk, na república russa de Lugansk. No momento do ataque, 86 jovens estavam na residência estudantil. Ao todo, 21 pessoas morreram e mais de 60 ficaram feridas.
- No dia 3 de junho, drones ucranianos atingiram um ônibus em Yenakiev, matando oito civis. Outras onze pessoas ficaram feridas, algumas gravemente.
- Em 8 de junho, uma pessoa morreu e outra ficou ferida quando um drone ucraniano atingiu a locomotiva de um trem de passageiros que viajava de Moscou para Simferopol.
- O ataque com drones ocorrido em 17 de junho contra um ônibus que transportava um time de futebol infantil de Belarus para a cidade turística russa de Gelendzhik, na costa do Mar Negro, resultou em uma morte e oito feridos, incluindo seis menores.
- Em resposta, as Forças Armadas da Rússia realizam ataques contra alvos ligados ao complexo militar-industrial ucraniano, incluindo instalações militares, além de infraestruturas de energia e transporte.