Cidadãos europeus são doutrinados para aceitar aumento dos gastos militares, diz Kremlin

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, o verdadeiro propósito dessa "doutrinação" é desviar fundos públicos e sustentar o conflito na Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os contribuintes europeus estão sendo "manipulados" para justificar o aumento dos gastos militares, o que permite que fundos públicos sejam redirecionados para o complexo militar-industrial.

"Para convencer seus contribuintes de que precisam gastar seu dinheiro em armas em vez de em hospitais, escolas e saúde, o que eles criariam? Criariam o mal", declarou Peskov em entrevista à revista suíça Die Weltwoche, publicada nesta terça-feira (7).

Ele concluiu: "Existe um 'mal' melhor em solo europeu do que a Rússia para os europeus? Não. Nós somos o 'mal' perfeito."

O porta-voz classificou esta tendência como "lavagem cerebral dos contribuintes europeus", insistindo que "eles estão a sofrer uma lavagem cerebral a 100%" e que "a teoria do perigo para todos eles está a ser 100% explorada".

Para ele, o verdadeiro objetivo da campanha é desviar fundos públicos e sustentar o conflito na Ucrânia.

"Eles estão pagando bilhões [...] de euros para fins de defesa e para fornecer ao regime de Kiev a oportunidade de continuar a guerra, como dizemos, até o último ucraniano", disse ele.

Além dos gastos militares, Peskov também abordou o papel da Ucrânia, observando que o regime de Kiev continua útil para a Europa.

"Eles estão começando a sentir-se extremamente desconfortáveis ​​com os ucranianos", disse, dando como exemplo que os governos europeus "não vão agora conceder-lhes asilo [aos ucranianos] se puderem estar nas frentes" ou que "estão a tentar reduzir o dinheiro".

No entanto, apesar desse desconforto, concluiu: "A Ucrânia e o regime de Kiev são uma ferramenta perfeita para continuar a guerra com a Rússia".