A senadora paraguaia Celeste Amarilla continua alimentando a polêmica em seu país após os comentários racistas que fez no fim de semana contra o atacante francês Kylian Mbappé, depois que a seleção da França eliminou a equipe paraguaia da Copa do Mundo de 2026.
Na segunda-feira (6), Amarilla fez uma nova ameaça contra Mbappé, ao colocar em dúvida que o jogador francês soubesse ler. "Eu diria para ele tomar cuidado com os paraguaios. Não se meta com os paraguaios (...) aqui nós até prendemos Ronaldinho por ser corrupto", afirmou a parlamentar, em referência à detenção do ex-jogador brasileiro Ronaldinho Gaúcho, em 2020, por tentar entrar no Paraguai com documentos falsos.
Em entrevista coletiva nesta terça-feira (7), a senadora não voltou atrás em suas declarações racistas e discriminatórias e chegou a afirmar que poderia processar o atacante por suposta "violência de gênero".
"Não me subestime, Mbappé. Eu posso entrar com uma ação contra você, contratar um advogado, e vão dizer que eu posso ganhar. Isso é grave, isso sim é grave", afirmou, ao tentar minimizar a repercussão negativa provocada por suas ofensas.
Por fim, disse considerar que o jogador francês lhe devia um "pedido de desculpas".
O que aconteceu?
O escândalo — que provocou a reação do governo francês e a condenação da administração de Santiago Peña — começou no último sábado (4), quando Amarilla publicou comentários ofensivos contra Mbappé nas redes sociais.
"Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamava cocos, e o mais instruído que ouviu foram chimpanzés", escreveu.
As declarações foram feitas no mesmo dia em que a França eliminou o Paraguai da Copa do Mundo, com um gol de pênalti de Mbappé nas oitavas de final.
Após a derrota da equipe sul-americana, a senadora escreveu: "Camaronês colonizado, fingindo com força ser francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio (...). A única coisa que muitos de nós cobramos da Albirroja é que não tenha dado um tapa com a mão aberta nele depois que o jogo terminou".
O próprio Mbappé respondeu diretamente à senadora. "A senhora é uma mulher desprezível e indigna do cargo que ocupa. A senhora não representa o Paraguai, um país que demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição", afirmou.
Por sua vez, a ministra dos Esportes, Juventude e Vida Comunitária da França, Marina Ferrari, declarou na segunda-feira (6) estar "absolutamente escandalizada" com as declarações.
Já a Federação Francesa de Futebol (FFF) anunciou que apresentará uma denúncia ao Ministério Público para que sejam adotadas medidas legais em razão das declarações "racistas" de Amarilla.
Ao mesmo tempo, o presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou apoio a Mbappé e afirmou: "Quando as palavras maculam, nossos valores respondem: dignidade, respeito e fraternidade".