Homem que mais tem a ganhar com cúpula da OTAN não está nem em Bruxelas nem em Washington

Graças à sua estreita relação com o presidente dos EUA e ao seu peso estratégico dentro da Aliança, Recep Tayyip Erdogan chega à cúpula como um dos seus principais beneficiários.

Embora a cúpula da OTAN, que acontece nos dias 7 e 8 de julho em Ancara, mal tenha começado, seu principal beneficiário já parece claro: o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país vem adquirindo crescente importância para a Europa e os Estados Unidos no novo contexto geopolítico.

Aproveitando sua relação com Trump

Mesmo antes do início da cúpula, o líder turco soube capitalizar sua estreita relação com Donald Trump, que, embora não tivesse planejado comparecer ao encontro devido à "maioria" — referindo-se aos líderes da Aliança —, acabou decidindo viajar para Ancara em sinal de respeito a Erdogan.

Durante uma reunião entre o presidente dos EUA e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, um repórter perguntou ao presidente se ele aprovaria os pedidos da Turquia por caças F-35 de quinta geração.

"Sim, acho que sim", respondeu ele. "É um membro da OTAN. Alguns não pensam assim, mas é sim. É um membro forte da OTAN", acrescentou Trump, antes de afirmar que provavelmente faria algo que agradaria muito a Erdogan.

Nesse contexto, a Reuters noticiou, citando fontes familiarizadas com o assunto, que Trump poderia anunciar durante a cúpula a aprovação da venda de caças americanos para Ancara, uma decisão que a Turquia tenta garantir há anos.

Uma Ponte entre os Estados Unidos e a Europa

À medida que as tensões aumentam entre Trump e seus aliados europeus na OTAN, Erdogan consolida cada vez mais sua posição como uma ponte entre os dois lados.

A influência de Washington nas duas regiões que a Turquia conecta — Europa e Oriente Médio — está em seu nível mais baixo, observa a revista Foreign Policy.

Segundo a publicação, Ancara parece ser um componente-chave da visão de Trump para um novo Oriente Médio, e os Estados Unidos têm poucas alternativas viáveis.

A publicação acrescenta que a Turquia desempenha hoje um papel ainda mais importante na Aliança do que durante a Guerra Fria, graças à manutenção de canais de comunicação abertos com a Rússia, o Irã e a Síria.

Impulsionando sua indústria de defesa

Nesta terça-feira (7), o vice-presidente turco, Cevdet Yilmaz, pareceu compreender perfeitamente a crescente demanda europeia por capacidades industriais na área de defesa.

"Hoje, a Turquia ocupa a 11ª posição no ranking mundial de países exportadores de defesa. Nosso objetivo é entrar no top 10 em um futuro próximo", afirmou.

"Se usarmos uma analogia com o futebol, a Turquia é um país que aspira jogar na primeira divisão", acrescentou.

Segundo a revista Foreign Policy, a indústria de defesa da Turquia pode contribuir significativamente para uma Europa em rápido processo de rearme.

Isso inclui capacidades industriais tangíveis, como a produção de tipos específicos de munição, drones avançados e outros sistemas de armas, mas também um ativo geográfico estratégico: a Turquia faz fronteira com o Irã e controla dois estreitos vitais, o Bósforo e os Dardanelos.