
Alemanha aumentará drasticamente gastos militares; financiamento do conflito contra Rússia é um dos objetivos

O governo alemão aprovou na segunda-feira (6) a proposta de orçamento federal para o próximo ano, que prevê gastos recordes de aproximadamente 555 bilhões de euros — dos quais quase 200 bilhões de euros serão cobertos por novas dívidas, conforme informações da imprensa local.

O ponto central do plano é um forte aumento nos gastos com defesa, estimado em cerca de 110 bilhões de euros até 2027, quase um terço a mais do que o orçamento de 2025. Desse total, aproximadamente 11 bilhões de euros seriam destinados ao apoio à Ucrânia em seu conflito com a Rússia.
Pela proposta orçamentária, a Alemanha pretende investir 605 bilhões de euros em defesa ao longo dos próximos quatro anos.
Nesse período, os gastos militares saltariam de 83 bilhões de euros este ano para quase 183 bilhões de euros em 2030.
Esse salto será bancado principalmente por endividamento. Segundo a mídia local, os empréstimos destinados a fins militares já respondem por mais da metade dos novos empréstimos deste ano e podem chegar a quase 70% até 2030. No total, o governo prevê contrair cerca de 519 bilhões de euros em novos empréstimos nos próximos quatro anos só para cobrir o aumento dos gastos militares.
A mudança orçamentária tem como objetivo acelerar a modernização das Forças Armadas alemãs, com a aquisição de tanques, drones e caças.
As autoridades justificam o aumento pela necessidade de reforçar a segurança nacional diante do atual cenário geopolítico, sobretudo após o conflito entre Ucrânia e Rússia.
O impacto em outras áreas
O aumento da dívida também trará um custo crescente. A previsão é que os pagamentos de juros passem dos atuais 33 bilhões de euros para 82 bilhões em 2030, o que deve forçar cortes em outras áreas.
O orçamento deste ano já reduz o financiamento para a saúde, limita os recursos do fundo para clima e transformação, e corta subsídios para pensões e plano de saúde. Segundo a mídia local, uma eventual redução dos gastos militares no futuro aliviaria a pressão sobre o endividamento público e permitiria menos cortes nos gastos sociais.

