Gigantes multinacionais como Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay solicitaram ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos que não imponha tarifas punitivas a produtos brasileiros, conforme informado pela imprensa nesta terça-feira (7).
Em cartas enviadas individualmente ao órgão no dia 1º de julho, as companhias alertaram para os impactos negativos na cadeia de suprimentos, na competitividade de empresas americanas e no custo ao consumidor, ressaltando que a oferta de produtos brasileiros é essencial e não pode ser substituída pelo mercado interno dos EUA.
Cada uma das empresas pediu que produtos específicos relacionados à sua cadeia de produção fossem excluídos. A Nestlé destacou que não há alternativa para o colágeno bovino brasileiro, e que é impossível produzir café em escala comercial nos Estados Unidos. A Coca-Cola, por sua vez, se preocupa com o fornecimento de frutas cítricas, como laranja e limão, cuja produção nos EUA está em queda.
A eBay quer que artigos usados não sejam tarifados devido à dificuldade operacional de determinar a origem dessas mercadorias. E a Tesla, por sua vez, quer que produtos usados na fabricação de veículos elétricos e robôs sejam isentos devido à dificuldade em se diversificar o fornecimento dos mesmos.
Multinacionais questionam argumentos do governo Trump
As empresas ainda rebatem alguns do argumentos usados pelo governo americano para justificar as tarifas, como desmatamento e trabalho forçado, mencionando que já possuem políticas internas capazes de fiscalizar os seus fornecedores.
Duas propostas sob discussão buscam aumentar tarifas sobre mais de 4 mil produtos brasileiros de 10% a 37,5%, sob alegação de práticas de concorrência desleal que dificultam a competição por parte de produtos americanos. A proposta ocorrece em um cenário de tensões geopolíticas, incluindo a classificação do PCC e CV como organizações terroristas, o que o governo brasileiro vê como uma ameaça a soberania nacional.