O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (3) que viajará novamente aos Estados Unidos na próxima semana para tentar convencer o governo norte-americano a não aplicar tarifas sobre produtos brasileiros.
A declaração contrasta com a postura adotada um ano antes, quando comemorou publicamente o chamado "tarifaço" anunciado pelo presidente Donald Trump.
À época, Trump oficializou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e deixou explícito, na abertura do decreto, o caráter político da medida.
O documento vinculava a ofensiva comercial à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, defendendo que ele não fosse condenado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.
Não deu certo. Bolsonaro, atualmente, cumpre 27 anos e três meses de prisão.
Flávio Bolsonaro celebrou a decisão de Trump nas redes sociais. "Obrigado, presidente Trump. Faça o Brasil livre novamente", escreveu o senador na época.
O decreto da Casa Branca abriu caminho para o processo administrativo conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), órgão responsável pela política comercial dos Estados Unidos, que recomendou novas tarifas de 25% contra produtos brasileiros.
Mudança de postura
Agora, o parlamentar mudou o discurso. Em sua publicação nas redes sociais, afirmou:
"Eu sou o oposto do Lula. Eu luto contra os narcoterroristas, trabalho de verdade contra as tarifas e vou defender sempre o nosso Pix, criado no governo Bolsonaro. O Pix é brasileiro, sem taxa, e ninguém mexe."
Flávio acrescentou que já tratou do tema pessoalmente com Donald Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio.
"Meu pedido é simples: não imponham tarifas ao Brasil. Não punam os brasileiros pelos erros do lulopetismo", escreveu.
Pix do Bolsonaro?
Na mesma publicação, Flávio afirmou que o Pix foi "criado no governo Bolsonaro". A afirmação, porém, simplifica o histórico de desenvolvimento do sistema público de pagamentos.
O Pix entrou em operação em novembro de 2020, durante o governo Bolsonaro, mas foi concebido e desenvolvido por técnicos do Banco Central do Brasil.
Os estudos sobre um sistema nacional de pagamentos instantâneos começaram ainda em 2014, durante o governo Dilma Rousseff, enquanto o grupo de trabalho responsável pela iniciativa foi criado em maio de 2018, durante o governo Michel Temer.
Em outubro de 2020, pouco antes do lançamento oficial do sistema, ao ser parabenizado por um apoiador, Bolsonaro manifestou desconhecimento sobre o que era o Pix.
"Não tomei conhecimento, vou conversar essa semana com o Roberto Campos (então presidente do BC)", disse, após o apoiador explicar que se tratava de um sistema de pagamentos, conforme reportagem da Folha de S.Paulo.
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