O Tribunal Superior de Londres rejeitou na segunda-feira (6) o pedido de indenização da Nord Stream AG relacionado à sabotagem dos gasodutos que ligam a Rússia à Europa.
Segundo a decisão, os danos causados aos dutos, incluindo rupturas e deformações, ocorreram "como consequência da guerra" e estavam excluídos da cobertura das apólices de seguro.
De acordo com o Financial Times, a operadora do gasoduto perdeu uma ação de 580 milhões de euros (cerca de R$ 3,4 bilhões) contra seguradoras lideradas pela Lloyd's de Londres.
O tribunal considerou válida uma cláusula que exclui danos relacionados a conflitos militares, evitando um dos maiores pagamentos já reivindicados no setor por destruição de infraestrutura.
A juíza Dame Clare Moulder afirmou ainda que não era necessário determinar quem foi responsável pelos ataques de setembro de 2022 aos gasodutos para decidir se as seguradoras deveriam indenizar a Nord Stream AG.
Sabotagem e terrorismo
As explosões nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 ocorreram em 26 de setembro de 2022, desencadeando grandes vazamentos de gás no Mar Báltico.
Os governos da Dinamarca, Alemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações sobre a ação e ignoraram os pedidos da Rússia, que pediu para auxiliar no caso, informou o New York Times à época.
Em 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou que por trás dos ataques estava alguém "capaz de organizar as explosões de forma técnica e que já recorreu a esse tipo de sabotagens", insinuando envolvimento do governo dos Estados Unidos.
Em 2023, o renomado jornalista norte-americano Seymour Hersh concluiu que a Casa Branca, sob comando do então presidente Joe Biden, estava por trás do atentado.
Outros relatórios da imprensa ocidental responsabilizaram grupos de sabotagem ucranianos pela explosão, que teriam chegado ao local do ataque em um iate chamado Andrômeda.
Segundo a investigação, a operação para explodir os gasodutos foi coordenada pelo ucraniano Sergey Kuznetsov.