Kremlin comenta reviravolta no caso dos gasodutos Nord Stream, explodidos em setembro de 2022

O Ministério Público alemão acusa as autoridades ucranianas de ordenar a sabotagem dos gasodutos que transportavam gás para a Europa.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou nesta sexta-feira (3) a acusação do Ministério Público alemão de que as autoridades ucranianas ordenaram a sabotagem dos gasodutos Nord Stream, que ligam a Rússia à Europa.

Isso "confirmou as informações que tínhamos praticamente desde o início desta história", de que "o regime de Kiev" estava envolvido neste "ato terrorista contra infraestrutura crítica da União Europeia", afirmou o porta-voz.

Ele pediu aos Estados-membros da União Europeia que levem em consideração essa acusação ao decidirem sobre a adesão da Ucrânia ao bloco, e descreveu como "altamente paradoxal" o fato de Berlim continuar a fornecer ajuda militar a Kiev.

« O que é o Nord Stream e como funcionam os principais gasodutos da Rússia para a Europa? Saiba mais aqui »

Na terça-feira (2), promotores alemães apresentaram acusações contra um ex-oficial ucraniano identificado como Sergey K. por seu envolvimento nas explosões de gasodutos, alegando que ele agiu sob ordens de "autoridades estatais ucranianas". De acordo com a acusação, a operação visava limitar a receita da Rússia com o fornecimento de gás natural.

Sabotagem e terrorismo

As explosões nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 ocorreram em 26 de setembro de 2022, desencadeando grandes vazamentos de gás no Mar Báltico.

Os governos da DinamarcaAlemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações sobre a ação e ignoraram os pedidos da Rússia, que pediu para auxiliar no caso, informou o New York Times à época.

Em 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou que por trás dos ataques estava alguém "capaz de organizar as explosões de forma técnica e que já recorreu a esse tipo de sabotagens", insinuando envolvimento do governo dos Estados Unidos.

Em 2023, o renomado jornalista norte-americano Seymour Hersh concluiu que a Casa Branca, sob comando do então presidente Joe Biden, estava por trás do atentado.

Outros relatórios da imprensa ocidental responsabilizaram grupos de sabotagem ucranianos pela explosão, que teriam chegado ao local do ataque em um iate chamado Andrômeda.

Segundo a investigação, a operação para explodir os gasodutos foi coordenada pelo ucraniano Sergey Kuznetsov.