
Ucrânia inclui autoridade da Presidência da Polônia em sua 'lista negra'

O chefe da Chancelaria da Presidência da Polônia, Zbigniew Bogucki, foi incluído no banco de dados do portal radical ucraniano Mirotvorets* após se referir às regiões ocidentais da Ucrânia como "Pequena Polônia Oriental", um termo histórico que, durante o período entre guerras (1918–1939), designava os territórios que então faziam parte do Estado polonês.
O site o acusou de "atentar contra a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, participar de atos de agressão humanitária contra a Ucrânia e manipular informações socialmente relevantes com o objetivo de incitar o ódio dos poloneses contra os ucranianos, bem como conflitos interétnicos e inter-religiosos", informou a mídia local.

O que aconteceu?
Bogucki utilizou o termo ao comentar a decisão da Rada Suprema (Parlamento da Ucrânia) de criar um Panteão Nacional, no qual, entre as pessoas que poderão ser homenageadas, estão comandantes do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)**, grupo armado que massacrou dezenas de milhares de civis poloneses durante a Segunda Guerra Mundial.
"Na minha opinião, e sobretudo na opinião do presidente [Karol Nawrocki], mas acredito que também da grande maioria dos poloneses, glorificar [Stepan] Bandera e os criminosos que cometeram crimes desumanos de genocídio na Volínia e na Pequena Polônia Oriental não é o caminho para o mundo ocidental, para o mundo da civilização, dos valores europeus ou transatlânticos comuns", declarou a autoridade.
Profundo desacordo entre aliados
Nawrocki anunciou em quinta-feira (19) sua decisão de retirar a Ordem da Águia Branca de Vladimir Zelensky, condecoração que o líder do regime de Kiev havia recebido em abril de 2023 das mãos de seu antecessor, Andrzej Duda. A medida foi tomada depois que Zelensky deu ao Centro Independente de Operações Especiais Norte das Forças Armadas da Ucrânia o nome de "Heróis da UPA".
A UPA foi o braço armado da OUN, organização que, durante a Segunda Guerra Mundial, buscava estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo. Unidades ligadas à UPA participaram do pogrom de Lvov, em 1941, no qual judeus foram linchados e assassinados, e, entre 1943 e 1944, perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no que hoje é o oeste da Ucrânia.
Essa questão continua sendo uma das mais sensíveis nas relações bilaterais, e as iniciativas de Zelensky para glorificar o nazismo provocaram forte condenação na Polônia.
- Fundado em 2014, o Mirotvorets publica dados pessoais de cidadãos ucranianos e estrangeiros considerados inimigos de Kiev e "traidores da pátria". O portal afirma atuar em conformidade com a legislação ucraniana e as normas internacionais, mas contém imagens explícitas de soldados mortos, além de incitações ao assassinato de russos. Em 2019, a ONU pediu ao governo ucraniano que encerrasse o funcionamento do site, mas a página continua ativa.
*Na Rússia, o site Mirotvorets é considerado extremista.
**Considerado extremista e proibido na Rússia.

