O Vaticano confirmou nesta quinta-feira (2) a excomunhão de seis bispos ligados à Fraternidade São Pio X, oficializando a ruptura entre a Igreja Católica e o movimento tradicionalista. A decisão foi anunciada pelo Vatican News e foi tomada um dia após a fraternidade ordenar quatro novos bispos durante uma cerimônia na Suíça, apesar do pedido do papa Leão XIV para que a iniciativa fosse cancelada.
Em decreto, o Vaticano afirmou que a ordenação de bispos sem autorização do papa representa uma ruptura com a autoridade de Roma. Segundo a Santa Sé, a decisão provocou "profunda dor" dentro da Igreja.
O documento também declara que os integrantes da Fraternidade São Pio X estão em situação de cisma e estabelece que os fiéis que aderirem formalmente ao movimento também poderão ser considerados excomungados.
Com a decisão, foram excomungados os quatro bispos ordenados na Suíça: os franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, o americano Michael Goldade e o suíço Pascal Schreiber. Também foram incluídos na medida os bispos Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, que já exerciam essa função dentro da fraternidade.
História do movimento
Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X reúne cerca de 600 mil membros em todo o mundo. Ainda segundo o Vatican News, o grupo rejeita as mudanças promovidas pela Igreja após o Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, e defende um modelo de sociedade patriarcal com um ideal de Estado teocrático.
Seus integrantes seguem uma interpretação rigorosa da tradição doutrinária e litúrgica católica, especialmente a Missa Tridentina, celebrada em latim e com o sacerdote voltado para o altar.
Atualmente, a Fraternidade São Pio X conta com cerca de 750 sacerdotes e quase 800 locais de culto distribuídos por 77 países. A Igreja Católica, por sua vez, reúne mais de 1,3 bilhão de fiéis em todo o mundo.