
Arquidiocese católica dos EUA pagará US$ 395 milhões por abusos sexuais contra menores

A Arquidiocese Católica de São Francisco, nos EUA, concordou em pagar US$ 395 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) para encerrar mais de 500 processos judiciais relacionados a abusos sexuais infantis cometidos por membros da igreja, anunciaram os advogados dos demandantes na segunda-feira (29), divulgou a agência americana de notícias Associated Press.
O acerto contempla aproximadamente 530 sobreviventes e foi firmado três anos após a arquidiocese declarar falência.
"Assumimos total responsabilidade pelo ocorrido e peço sinceras desculpas a todos que foram prejudicados", disse o arcebispo Salvatore Cordileone em comunicado.
Como parte das condições, Cordileone deverá redigir uma carta de desculpas personalizada para cada vítima. Além da compensação financeira, a instituição deverá cumprir uma série de exigências relacionadas à proteção de menores e transparência.

Entre elas, destacam-se a manutenção e divulgação pública de uma lista atualizada de todos os clérigos acusados de abuso, detalhando as alegações e resultados investigativos, além da proibição de acordos de confidencialidade que silenciem as vítimas.

"Carreguei essa dor e vergonha como uma bola de ferro por muito tempo. Hoje, a vergonha vai mudar de lado", afirmou Margie O'Driscoll, uma vítima que processou a arquidiocese, alegando ter sofrido abuso há quase 50 anos.
Este é o mais recente entre diversos acordos sobre denúncias de abusos clericais, sendo que em 2024 a Arquidiocese de Los Angeles estabeleceu um recorde com US$ 880 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões).
Diversas arquidioceses californianas recorreram à proteção por falência após enfrentarem centenas de ações judiciais possibilitadas por legislação estadual aprovada em 2019, que permitiu a apresentação de denúncias com décadas de antiguidade até dezembro de 2022.
